Ciara Carroll
O abraço na praia parecia durar uma eternidade e, ao mesmo tempo, passar num piscar de olhos. Foi Giovanni quem, com uma sensibilidade prática que sempre o caracterizou, nos trouxe de volta à realidade. A sua mão, firme e suave, pousou no meu ombro.
— Ciara, — disse ele, baixinho, a voz um murmúrio próximo ao meu ouvido, mas com uma autoridade inegável. — Precisamos ir. Já estamos chamando muita atenção.
Ele estava certo. Alguns turistas e vendedores ambulantes observavam a cena emocionada com curiosidade, alguns até com celulares nas mãos. O mundo moderno é um lugar perigoso para uma família como a nossa, onde a discrição é uma armadura. A minha felicidade era tão avassaladora que eu me esquecera completamente do perigo que a exposição representava para Giovanni, para Salvatore, para mim e agora, para os meus pais.
— Sim, — concordei, limpando o rosto com as costas da mão, ainda ajoelhada na areia. — Tem razão.
Ajudei os meus pais a levantar. As pernas deles tremiam tan