Giovanni Sorrentino
Um ano.
Um ano desde que entrei naquele galpão escuro no porto, cheirando a desespero e morte. Que se abriu e revelou o meu destino. Lembro-me da ordem seca de Francesco: “Vai lá ver essa merda, Giovanni. E resolve.” Naquela época, resolver significava eliminar um problema. Não sabia eu que, ao abrir aquela porta, abria a porta para a minha própria salvação.
E hoje, hoje, me casei com a mulher que encontrei naquela escuridão e me golpeou na cabeça com uma cadeira.
Passaram-se três meses desde Santa Marta. Três meses desde que a última peça do quebra-cabeça da vida da Ciara se encaixou. Os seus pais, Aidan e Brigid, estão agora instalados numa charmosa vivenda a poucos quilômetros da nossa propriedade, rodeada de campos de girassóis que lembravam um pouco a nossa residência. Salvatore os adora, e eles idolatram praticamente o meu bambino, preenchendo um vazio que nem sabiam que ainda tinham no coração do meu filho.
Mas hoje é sobre nós. O dia do nosso casamento.
Est