Giovanni Sorrentino
Paris nos engolia em silêncio. A cada rua estreita, cada vitrine iluminada, eu sentia o peso da incerteza nos meus ombros. Francesco caminhava ao meu lado, tragando o cigarro com raiva, como se o fumo fosse a única forma de soltar a fúria que Jacques lhe provocara.
Precisávamos pensar, e rápido. Mas não se pensa direito com o sangue fervendo. Por isso sugeri:
— Vamos tomar um café. — Minha voz saiu firme, mas baixa. — Talvez clareie a cabeça e encontremos uma solução para o que temos.
Entramos em uma cafeteria discreta, próxima ao Boulevard de Clichy. O cheiro de café recém-passado misturado ao doce das viennoiseries parecia deslocado diante do peso que carregávamos. Pedi dois expressos, e nos sentamos à mesa do fundo.
Foi então que notei. Três homens, entrando quase no mesmo compasso que nós. Se espalharam, mas nenhum conseguiu disfarçar o bastante. Meu olhar foi para Damiano, que estava à mesa ao lado e o vi concordar com a cabeça. O reflexo no espelho ao lado me