A noite caiu com um peso diferente. Não era silêncio tranquilo, era aquele tipo de quietude que obriga decisões. Ágata colocou Filipe para dormir com mais cuidado do que o normal, como se cada gesto fosse uma promessa silenciosa de proteção.
— Mãe, aquele homem era bravo — Filipe murmurou, já sonolento.
Ágata respirou fundo antes de responder. A verdade, filtrada pela segurança.
— Ele não manda mais na nossa vida. Nunca mandou — disse, beijando a testa do filho. — Você está seguro.
Filipe fechou os olhos, confiando nela do jeito mais puro que existe. Quando saiu do quarto, Ágata sentiu as pernas tremerem pela primeira vez desde o encontro. O corpo finalmente permitia sentir.
Henrique estava na sala, em pé, olhando pela janela. Ao ouvir os passos dela, virou-se devagar.
— Eu não gostei de vê-lo perto de você — disse. Não como ciúme. Como alerta.
— Nem eu — respondeu ela. — Mas não vou fugir. Nunca mais.
Eles se sentaram no sofá, mantendo uma distância pequena, consciente. A tensão ali