Henrique fechou a porta do escritório no fim daquela tarde com um gesto lento, quase cerimonial. Não havia mais ninguém no prédio. O ar-condicionado desligado deixava o ambiente morno, denso, como se o espaço aguardasse uma resposta. Ele apoiou as mãos na mesa, inclinou o corpo para frente e ficou ali por alguns segundos, respirando como quem se prepara para atravessar uma ponte estreita.
Não era mais sobre desejo. O desejo já tinha falado tudo o que podia. Agora era sobre caráter.
Pegou o celu