Henrique fechou a porta do escritório no fim daquela tarde com um gesto lento, quase cerimonial. Não havia mais ninguém no prédio. O ar-condicionado desligado deixava o ambiente morno, denso, como se o espaço aguardasse uma resposta. Ele apoiou as mãos na mesa, inclinou o corpo para frente e ficou ali por alguns segundos, respirando como quem se prepara para atravessar uma ponte estreita.
Não era mais sobre desejo. O desejo já tinha falado tudo o que podia. Agora era sobre caráter.
Pegou o celular e, pela primeira vez, não apagou a mensagem.
“Precisamos conversar. Hoje. Em casa.”
Do outro lado da cidade, Diana leu e sentiu o estômago afundar. Não perguntou o motivo. Não respondeu de imediato. Ela já sabia. O instinto que a guiara até o escritório, as visitas sem aviso, a vigilância silenciosa… tudo agora se alinhava como peças tardias de um quebra-cabeça cruel.
Henrique chegou em casa mais cedo do que o habitual. O filho brincava na sala, alheio à tensão que ocupava cada canto. Diana