Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia em que ganhei o campeonato de líderes de torcida, todo o público aplaudia entusiasmado. Mas, meu irmão, da arquibancada, jogou uma garrafa de água contra mim: — Você machucou a perna da Luísa antes da competição só para ficar em primeiro lugar. Você sabia que ela tem leucemia? O último desejo dela antes de morrer era conquistar o título! Você foi capaz de feri-la por fama e fortuna... tão egoísta! Eu não tenho uma irmã como você! Meu noivo, que era também o patrocinador da competição, anunciou a anulação da minha vitória. — Você usou substâncias proibidas, não é digna de ser campeã! Fui boicotada por todos os fãs. Chegaram a editar a minha foto como se fosse um retrato fúnebre e enviaram para mim. Guardei aquela foto em silêncio. Provavelmente, em breve, iria servir para valer, afinal, um mês antes eu havia sido diagnosticada com um tumor cerebral maligno. Escolhi, antes de morrer, transformar-me naquilo que todos esperavam que eu fosse: uma irmã dedicada, educada e honesta, sem mentiras.
Ler maisO rosto da Luísa mudou de expressão, mas logo recuperou a tranquilidade. — Irmão, o que você está dizendo? Não tô entendendo nada.— Como eu iria fingir ser a pessoa que doou o rim para você? Naquele acidente, você precisou de um transplante, e eu coincidentemente era compatível, então eu doei o meu rim para você.— Como eu poderia enganar você?Ao ouvir isso, o irmão ficou ainda mais furioso. Pegou o laudo que a Dra. Helena havia lhe entregue e atirou com força na cara da Luísa. — Ainda tenta negar! Aqui está o laudo. Está escrito claramente: quem doou o rim foi Elisa, não você!Luísa empalideceu ao ver o documento. Mas logo ela começou a chorar, olhando para o irmão com um ar de pena:— Irmão, me desculpa, eu não queria te enganar. Eu gosto demais de você... queria apenas chamar a sua atenção e acabei fingindo ser a doadora. Mas, juro, não queria fazer mal à Elisa.O meu irmão ficou um pouco comovido com essas palavras. Afinal, Luísa era sua irmã; ele não queria acreditar que ela
Nesse momento, Henrique de repente lembrou de algo, com rosto encharcado de lágrimas, perguntou: — Doutora, por que o corpo da Elisa ficou tão devastado?— Ela parecia tão saudável... Como pôde morrer de repente?A Dra. Helena soltou um suspiro, tirou um laudo médico da pasta e entregou ao Henrique.— O corpo da Elisa já estava enfraquecido há muito tempo. — Disse ela. — Três anos atrás ela foi diagnosticada com um tumor cerebral maligno, mas manteve isso em segredo de vocês. As mãos de Henrique tremiam quando ele pegou o laudo médico. Ao ler as grandes letras estampadas — “Tumor Cerebral Maligno em Estado Terminal.” — Ficou paralisado como se tivesse sido atingido por um raio. — Isso...isso não pode ser verdade... — Murmurou — Como a Elisa poderia ter uma doença dessas?A Dra. Helena balançou a cabeça e disse num tom resignado:— O tumor dela já estava em estado terminal; não havia mais nada que se pudesse fazer. — Essa doação de rim apenas acelerou a morte dela.Henrique, ao ouvir
— O que você disse? O corpo da Elisa?O irmão arregalou os olhos, encarando a Dra. Helena, sem acreditar no que ouvira. Henrique também ficou chocado.— Que piada de mau gosto é essa? Como assim a Elisa morreu?A Dra. Helena suspirou, resignada disse: — Não é brincadeira. Depois de doar o rim para a Luísa, ela não resistiu e morreu na mesa de cirurgia.Vocês, como família dela, já deviam ter vindo tratar dos preparativos do funeral.Ao ouvir isso, meu irmão e Henrique, em vez de aceitarem a realidade, ficaram furiosos: — Com certeza você se enganou! A Elisa não pode ter morrido!— Aposto que você foi subornado por ela e está inventando essa história para nos enganar!— A Elisa deve estar escondida em algum lugar, se recusando a atender nossas ligações!— Ela está passando dos limites! Até a própria família quer enganar agora?A Dra. Helena encarou-os, exasperada: — Se não acreditam, venham comigo.Caminharam em direção ao necrotério. Meu irmão e Henrique se entreolharam, um calafri
Meu irmão e Henrique permaneceram o tempo todo ao lado da cama de Luísa.Nesse meio-tempo, ouviram as enfermeiras comentando sobre uma menina, doadora de órgãos, que morreu depois da cirurgia. — Você soube? Hoje uma menina que doou seus órgãos acabou por falecer.— Eu sei. Já só tinha um rim e, mesmo assim, quis doar. Não sei o que se passava na cabeça dela...— Mas, de qualquer forma, mesmo sem doar, ela não viveria muito tempo. Ouvi dizer que também tinha um tumor cerebral maligno."Doação de rim?" Um arrepio de inquietação atravessou os pensamentos do meu irmão. Mas, num ímpeto, afastou tais pensamentos: desde pequena, eu sempre fora forte e saudável, como poderia ter morrido na cirurgia? Deve ter sido outra infeliz qualquer. Reprimiu a sua ansiedade e, junto com Henrique, continuou esperando que Luísa despertasse. Finalmente, ela abriu os olhos, devagar. — Irmão, Henrique… eu… eu ainda estou viva? Sua voz estava um pouco rouca, mas os olhos brilhavam com a alegria de quem hav
Último capítulo