PEDRO
Acordei com o sol a bater no meu rosto.
Por uma fração de segundo, o pânico travou os meus músculos. Onde eu estava? O bip do monitor tinha sumido?
Abri os olhos num solavanco, sentando-me na cama.
O quarto da penthouse estava banhado pela luz da manhã. O monitor cardíaco ainda estava lá, mas o som tinha sido diminuído para um volume quase imperceptível. E ao meu lado...
Isabella dormia.
O peito dela subia e descia num ritmo lento e constante. O cabelo escuro espalhado pelo travesseiro branco. Ela parecia em paz, apesar da faixa na cabeça e do gesso no braço.
Soltei o ar que nem sabia que estava a prender. Deixei o corpo cair de volta no colchão, virando-me de lado para observá-la.
As minhas mãos doíam. Olhei para os nós dos dedos da mão direita: inchados, roxos, feios. A lembrança do rosto de Arthur Sampaio Filho esmagado sob o meu punho veio à tona. Fechei a mão, sentindo a dor. Era real. Ele não ia voltar.
Isabella remexeu-se. Uma careta de dor cruzou o rosto dela, p