PEDRO
O procedimento para retirar o tubo foi a coisa mais agoniante que já assisti. E eu já vi homens serem quebrados.
— Respire fundo, Isabella. Vai ser desconfortável, mas vai passar rápido.
O médico puxou. Isabella arqueou as costas, os olhos arregalados, o rosto ficando vermelho num engasgo silencioso. Eu segurava a mão dela com tanta força que tive medo de machucá-la, mas ela precisava dessa âncora.
Quando o tubo saiu, ela tossiu. Um som seco, rouco, doloroso.
— Água... — eu pedi imediatamente, pegando o copo com canudo que a enfermeira segurava.
Levei o canudo aos lábios dela. Ela bebeu sôfrega, mas engasgou-se de novo.
— Devagar, meu amor. Devagar.
Ela recostou-se nos travesseiros, exausta. O suor cobria a testa dela. Ela olhou para mim e abriu a boca para falar. Os lábios moveram-se, formando o meu nome.
Pedro.
Mas nenhum som saiu. Apenas um sopro de ar.
O pânico cruzou os olhos verdes dela. Ela tentou de novo, forçando a garganta, mas o resultado foi apenas uma car