PEDRO
Uma semana.
Sete dias desde que a trouxemos para casa. Sete dias em que a minha cobertura se transformou num bunker de recuperação.
A nossa rotina era sagrada. Eu acordava antes dela, checava os sinais vitais (hábito maldito que eu não conseguia largar), dava-lhe banho, alimentava-a e passava o dia a trabalhar numa poltrona ao lado da cama, enquanto ela fazia sessões exaustivas de fisioterapia e fonoaudiologia.
Ela estava a melhorar. Os hematomas estavam a amarelar. O gesso no braço ainda incomodava, mas ela já conseguia sentar-se sozinha sem gemer de dor.
Só faltava uma coisa. A voz.
A laringe dela estava a curar-se, mas o trauma psicológico e o inchaço residual mantinham-na num silêncio teimoso. Ela comunicava com gestos, olhares e, quando estava muito irritada, escrevia num tablet com a mão esquerda trêmula.
Eu sentia falta da voz dela. Sentia falta das discussões. Sentia falta de ela me chamar de "arrogante".
— Sr. Montenegro?
A voz de Marcus veio do interfone do co