Pousamos em são Paulo.
...
A chuva em São Paulo caía como uma cortina de chumbo, isolando o nosso SUV blindado do resto do mundo. Lá fora, era caos, trânsito e cinza. Mas ali dentro, no banco de couro com cheiro de sândalo e segurança, existia apenas uma paz dourada e frágil.
Pedro dispensou o mundo. O laptop foi fechado. O celular, silenciado. Ele me puxou para o centro do banco, ignorando a trava do apoio de braço, e me aninhou contra o peito dele. Senti a rigidez habitual dos ombros dele derreter.
Pela primeira vez, o Rei não estava em guarda. Ele estava apenas... ali. Comigo.
A mão dele, grande e quente, descansava sobre o meu ventre, desenhando círculos lentos, quase reverentes, no tecido do meu vestido.
— Você está muito quieto — sussurrei, erguendo o rosto para encontrar o dele na penumbra. — O que essa mente brilhante está calculando agora? Riscos? Margens de lucro?
Ele olhou para baixo. Os olhos negros, que costumavam ser duros como ônix, estavam líquidos, desarmados.