PEDRO
As portas duplas da emergência abriram-se com um estrondo.
Eu corria ao lado da maca, a minha mão ainda a segurar a dela, recusando-me a soltar, mesmo enquanto corria, tropeçando nos meus próprios pés, o sangue dela a tornar as minhas solas escorregadias no linóleo branco do hospital.
— Trauma craniano grave! Hemorragia interna! PA 6 por 4 e caindo! — gritava um médico, em cima da maca, bombeando o peito dela. — Sala de Trauma 1! Agora!
— Salvem-na! — A minha voz era um rugido quebrado, irreconhecível. — Eu pago o que for preciso! Tragam os melhores! Tragam todos!
— Senhor, o senhor não pode passar daqui! — Uma enfermeira barrou o meu caminho quando chegamos às portas do bloco cirúrgico.
— É a minha mulher! — Tentei empurrá-la, o pânico a cegar-me. Eu precisava ver. Precisava garantir que ela respirava. Se eu a perdesse de vista, ela morreria. Eu sentia isso. — Saiam da frente!
— Pedro!
Braços fortes agarraram-me por trás. Marcus. E mais dois seguranças. Eles me puxaram,