— Senhor… — a voz de Laura, a secretária da recepção, chegou até ele quase como um sussurro. Ela havia aberto a porta apenas o suficiente para deixar aparecer o rosto fino e tímido.
Dante soltou um suspiro pesado ao ver aquela expressão aflita, como se o mundo estivesse prestes a desabar. Sua cota diária de paciência estava por um fio. Gustavo, Constança e aquela garota — Isabela — tinham acabado de sair. Por um instante, Dante acreditou que finalmente teria um pouco de sossego para trabalhar.
Tentou não pensar no rosto da jovem quando disse que ela podia ir embora. Sentia-se um verdadeiro insensível, mas ela era uma completa desconhecida. E sim, tinha ajudado a se livrar de Constança, mas ele não havia pedido aquele favor.
— Se eu não abri a porta depois de você quase derrubá-la, é porque estou ocupado — vociferou.
Às vezes pensava seriamente em pendurar um aviso na porta com exatamente essas palavras. Detestava ser interrompido enquanto lia. Antes, conseguia avançar páginas e página