Vai um cineminha?

O celular de Amelia vibrou sobre a mesa da cozinha enquanto ela organizava algumas coisas distraidamente. Ela nem precisou olhar para a tela para suspeitar de quem era — mas, quando viu o nome de Rafael, um sorriso automático surgiu em seus lábios.

A mensagem era curta.

Um poema.

“Entre a noite e o acaso,

te encontrei.

E desde então,

meu dia acorda mais atento.”

Amelia releu duas vezes. Depois, riu sozinha.

— Isso foi… fofo — murmurou, balançando a cabeça.

Ela digitou a resposta ainda sorrindo.

Amelia:

“Confesso que não esperava começar o dia lendo um poema. Bom dia, Rafael.”

A resposta veio poucos segundos depois.

Rafael:

“Bom dia. Achei que era uma forma honesta de dizer que gostei de te conhecer.”

Amelia apoiou o celular no balcão, sentindo aquele calor bom no peito — simples, mas genuíno.

Amelia:

“Funcionou. E o que o advogado-poeta vai fazer hoje?”

Rafael estava no carro, parado em frente ao prédio do Tribunal de Justiça, quando respondeu.

Rafael:

“Dia importante. Vou passar a manhã inteira no tribunal resolvendo um caso decisivo pra minha carreira. Daqueles que exigem foco total.”

Ela imaginou Rafael sério, concentrado, terno bem alinhado… e sorriu outra vez.

Amelia:

“Então boa sorte. Espero que dê tudo certo.”

Rafael:

“Obrigado. Saber que você desejou isso já ajuda mais do que imagina. E você? Dia corrido?”

Amelia olhou ao redor da casa, ainda com caixas abertas e pequenas pendências acumuladas.

Amelia:

“Hoje é minha folga. Vou organizar a casa com calma e depois sair pra fazer algumas compras. Um dia simples.”

Rafael:

“Dias simples costumam ser os melhores.”

Ela concordou em silêncio.

Amelia:

“Boa sorte no tribunal, Rafael. Me conta depois como foi.”

Rafael:

“Combinado. E aproveite sua folga. A gente se fala mais tarde.”

Amelia bloqueou a tela do celular e ficou alguns segundos parada, pensativa. Ainda era cedo, o dia mal havia começado… e, mesmo assim, ele já parecia diferente.

Do outro lado da cidade, Rafael guardou o telefone no bolso do paletó antes de entrar no prédio. Pela primeira vez em muito tempo, um caso difícil não ocupava completamente sua mente.

Havia um sorriso insistente ali.

E uma vontade clara de que aquela conversa fosse apenas a primeira de muitas.

O dia de Rafael foi exatamente como esperado — intenso, exigente, decisivo. No tribunal, ele falou com firmeza, respondeu perguntas difíceis e sustentou seus argumentos com a segurança de quem sabia onde estava pisando. Ao final da audiência, saiu com a sensação rara de dever cumprido. O caso avançara melhor do que ele imaginava, e aquilo poderia, sim, abrir novas portas em sua carreira.

Mesmo assim, entre um documento e outro, sua mente insistia em escapar… sempre para o mesmo lugar.

Para o sorriso de Amelia.

Para o beijo inesperado na bochecha.

Já Amelia teve um dia tranquilo. Organizou a casa sem pressa, abriu as janelas, deixou a música tocar enquanto arrumava pequenos detalhes que vinha adiando. Depois saiu para fazer compras, caminhando pelas lojas com calma, escolhendo coisas simples — e sorrindo sozinha em alguns momentos, lembrando da noite anterior. Havia algo diferente no ar. Algo leve.

No fim da tarde, o celular de Rafael vibrou.

Arthur.

Arthur:

“E aí… desaparecido 👀 Como foi a noite com a mulher misteriosa?”

Rafael sorriu ao ler a mensagem.

Rafael:

“Foi boa. Melhor do que eu esperava.”

A resposta veio rápida demais para ser coincidência.

Arthur:

“Sempre começa assim. Conta mais.”

Rafael apoiou-se na cadeira do escritório, relaxando pela primeira vez no dia.

Rafael:

“Ela é inteligente, tranquila… conversa fácil. A gente saiu do bar cedo, mas foi suficiente pra querer repetir.”

Arthur:

“Ou seja: você gostou.”

Rafael:

“Gostei.”

Arthur demorou alguns segundos antes de responder — o que, vindo dele, era suspeito.

Arthur:

“Confesso que também gostei da minha companhia ontem. Bonita, divertida… mas nada que prendesse de verdade.”

Rafael riu baixo.

Rafael:

“Então parece que só um de nós saiu realmente impressionado.”

Arthur:

“Milagre. Logo você.”

Rafael:

“As aparências enganam.”

Arthur mandou um emoji rindo.

Arthur:

“Se for pra ser enganado assim, espero que continue. Quero ver até onde isso vai.”

Rafael bloqueou a tela do celular com um sorriso discreto. Do outro lado da cidade, Amelia também encerrava o dia com a sensação de que algo bom estava se desenhando — sem pressa, sem promessas exageradas.

A noite se aproximava.

E, com ela, a certeza silenciosa de que aquele encontro ainda renderia muitos capítulos.

O início da noite trouxe uma pausa bem-vinda. Rafael já estava em casa quando pegou o celular, quase por impulso. Pensou em Amelia por alguns segundos antes de digitar.

Rafael:

“Oi… como foi o seu dia?”

Do outro lado da cidade, Amelia estava sentada no sofá, com o cabelo preso de qualquer jeito e uma sensação boa de dever cumprido. Ao ver o nome dele na tela, sorriu antes mesmo de responder.

Amelia:

“Oii, Foi muito bom. Leve, tranquilo. Consegui organizar a casa, fazer compras… coisas simples que eu vinha adiando há dias por falta de tempo.”

Rafael leu com atenção, imaginando-a naquele cenário simples, tão diferente do palco iluminado.

Rafael:

“Fico feliz em saber disso. Você merecia um dia assim.”

Houve uma breve pausa antes da próxima mensagem dele, mais pessoal.

Rafael:

“E preciso te contar uma coisa… hoje no tribunal, quando as coisas ficaram mais tensas, eu lembrei de você me desejando boa sorte.”

Ela franziu a testa, curiosa.

Amelia:

“Sério?”

Rafael:

“Sim. E ajudou mais do que imagina. O caso deu certo, e eu fiquei realmente muito feliz com isso.”

Amelia sentiu o peito aquecer. Não era apenas sobre o sucesso dele — era sobre ter feito parte, mesmo à distância.

Amelia:

“Então fico duplamente feliz. Pelo seu dia… e por ter ajudado um pouquinho.”

Rafael sorriu sozinho, encostando a cabeça no encosto do sofá.

Rafael:

“Ajudou bastante. Obrigado por isso.”

Do outro lado, Amelia respirou fundo, com aquela sensação tranquila de quem estava exatamente onde deveria estar.

Amelia:

“Que bom que seu dia terminou assim. Você mereceu.”

A conversa seguiu sem pressa, simples, confortável — como se aquele cuidado mútuo já fizesse parte da rotina dos dois.

Rafael caminhava de um lado para o outro do apartamento, o celular na mão, relendo a última mensagem de Amelia. Queria vê-la outra vez — disso tinha certeza — mas não queria parecer impulsivo demais. Procurava uma desculpa convincente, algo natural.

Foi então que sorriu, como quem encontra a peça certa no lugar certo.

Ela havia comentado, quase de passagem, que gostava de filmes que misturavam romance e comédia. E ele se lembrou perfeitamente de que, naquela mesma noite, um novo filme nesse estilo acabara de estrear.

Sem pensar demais, digitou.

Rafael:

“Pergunta inesperada… você ainda gosta de filmes de romance com comédia?”

A resposta demorou alguns segundos.

Amelia:

“Gosto sim. Por quê?”

Ele respirou fundo antes de enviar a próxima.

Rafael:

“Acabou de estrear um filme exatamente assim. Pensei em você na hora. Topa ir comigo?”

Do outro lado, Amelia mordeu levemente o lábio, olhando para a tela. Era rápido demais. Espontâneo demais. Ainda assim… havia algo irresistível naquela forma simples e direta.

Amelia:

“Em quanto tempo?”

Rafael:

“Se você aceitar… vinte minutos.”

Ela riu sozinha, balançando a cabeça.

Amelia:

“Você é ousado, sabia?”

Rafael:

“Prefiro pensar que sou decidido.”

Alguns segundos depois, a resposta apareceu.

Amelia:

“Tudo bem. Aceito.”

Rafael não conteve o sorriso.

Vinte minutos depois, ele estacionava em frente à casa simples de Amelia. O coração batia mais rápido do que gostaria de admitir. Ajustou a camisa, respirou fundo e saiu do carro.

Ela já o esperava do lado de fora.

Amelia estava pronta, casual e bonita de um jeito que não parecia forçado. Quando o viu, abriu um sorriso que fez Rafael esquecer qualquer ensaio mental que tivesse preparado.

— Você foi rápido — ela comentou.

— Tive um ótimo incentivo — ele respondeu, sincero.

Ela caminhou até o carro, fechando a porta de casa atrás de si.

— Então… — disse, olhando para ele com um brilho curioso nos olhos — vamos ver se seu gosto pra filmes é tão bom quanto seu gosto pra vinhos.

Rafael riu, abrindo a porta para ela.

— Desafio aceito.

Enquanto o carro se afastava pela rua iluminada, ambos tinham a mesma certeza silenciosa:

aquele encontro improvisado não era apenas sobre um filme.

Era sobre a vontade clara de continuar… juntos.

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