Mundo de ficçãoIniciar sessãoO cinema estava cheio, iluminado por risos, cochichos e a ansiedade típica de noites que prometiam romance.
Amelia aguardava na fila da bombonière, equilibrando dois baldes de pipoca — um doce, outro salgado — enquanto Rafael se afastava para comprar os ingressos. — Precaução — ela comentou quando ele voltou. — Nunca se sabe qual vai ganhar no meio do filme. — Decisão sábia — Rafael respondeu, entregando os ingressos. — Ainda mais pra um filme com esse título. O cartaz brilhava acima da entrada da sala: O Amor é Amargo — Já viu a sinopse? — Amelia perguntou, curiosa. — Li por alto — ele respondeu, rindo. — Pelo que entendi, é sobre uma confeiteira especializada em doces perfeitos que se apaixona por um crítico gastronômico amargo, conhecido por destruir restaurantes com suas avaliações. Eles se odeiam no começo, discutem por causa de açúcar, sal e expectativas… até descobrirem que o amor, às vezes, precisa de um toque de caos pra dar certo. Amelia soltou uma gargalhada baixa. — Ok, eu já gostei. Parece ridículo na medida certa. Entraram na sala e escolheram a última fileira. Ao redor, casais de mãos dadas, ombros apoiados, sussurros carinhosos. O ambiente era quente, confortável, quase cúmplice. Enquanto Amelia se acomodava, Rafael sentiu o celular vibrar no bolso. Arthur: “Tá afim de tomar uma?” Rafael sorriu e respondeu com uma foto discreta, apenas o suficiente para mostrar o braço de Amelia segurando a pipoca ao seu lado, sem revelar o rosto por completo. A resposta veio na hora. Arthur: “KKKK ai sim! Manda ver, meu garoto! Finalmente curtindo o que não viveu na juventude.” Rafael soltou um riso contido, guardando o celular. — Amigo? — Amelia perguntou, divertida. — Um dos mais antigos. E exagerado — ele respondeu. Quase ao mesmo tempo, o celular dela vibrou. Angeline. Amelia leu a mensagem e arqueou a sobrancelha. Angeline: “Noite das garotas hoje. Você tá livre?” Ela digitou rápido. Amelia: “Então… conheci um cara no Nocturne Chill. Agora tô no cinema com ele.” A resposta veio acompanhada de risadas virtuais. Angeline: “Sua danada hahahaha, Aproveita, amiga!” Amelia bloqueou a tela, ainda sorrindo. — Amiga do trabalho — explicou. — Ela também dança comigo. — E aprovou o cinema? — Rafael provocou. — Totalmente. Eles desligaram os celulares quase ao mesmo tempo, como se tivessem feito um acordo silencioso. As luzes da sala começaram a se apagar, e a conversa ao redor diminuiu até virar um murmúrio suave. Amelia acomodou o balde de pipoca no meio dos dois. Rafael sentiu o braço dela tocar levemente o seu — um contato simples, mas suficiente para acelerar o coração. A tela se iluminou. O filme começou. E, entre risadas, olhares de canto e aquela proximidade confortável, Rafael teve a clara sensação de que não era apenas o filme que estava em cartaz naquela noite. Quando saíram da sala de cinema, ainda riam de uma cena exageradamente dramática do filme. Amelia enxugava os olhos, divertidíssima. — Eu não acredito que ele declarou amor no meio da confeitaria — disse, rindo. — Admito… foi exagerado — Rafael respondeu. — Mas funcionou. Caminharam pelo corredor iluminado até o salão de jogos anexo ao cinema. O som das máquinas, as luzes coloridas e as risadas criavam um clima leve, quase juvenil. — Isso aqui parece perigosamente divertido — Amelia comentou. — Perigosamente competitivo — Rafael corrigiu, já se aproximando de um jogo. Disputaram algumas partidas, provocando-se sem maldade, rindo quando erravam e comemorando exageradamente quando venciam. Amelia ria com facilidade, e Rafael percebeu que gostava mais daquele som do que imaginava. Foi então que ele viu. As máquinas de pegar pelúcias. Rafael notou o instante exato em que Amelia parou de andar. Seus olhos estavam fixos em um coelho grande, branco e felpudo, posicionado quase no centro da máquina. O sorriso dela foi discreto, contido — mas os olhos… completamente iluminados. Rafael sorriu consigo mesmo. — Vem cá — disse, puxando-a suavemente pela mão. — O que foi? — Amelia perguntou, curiosa. Ele já estava depositando a ficha. — Confia em mim. Ela cruzou os braços, divertida, observando enquanto ele analisava a máquina com atenção. Rafael ajustou o controle, respirou fundo… e na primeira tentativa, a garra desceu com precisão, agarrando o coelho e soltando-o direto na saída. Amelia arregalou os olhos. — Não acredito! Ela se aproximou rapidamente, pegando o coelho como se fosse um troféu. — Você é… incrível — disse, encantada. Rafael pegou a pelúcia das mãos dela e a estendeu com um sorriso tranquilo. — É seu. — Como você sabia que eu queria exatamente esse? — ela perguntou, ainda abraçada ao coelho. Ele riu, de leve. — Intuição. Antes que ele pudesse reagir, Amelia deu um passo à frente e o abraçou. Um abraço espontâneo, apertado, sincero. Rafael se surpreendeu por um segundo… mas logo levou a mão à cintura fina dela, segurando-a com cuidado, como se aquele gesto fosse o lugar mais natural do mundo. Ela se afastou devagar. Os olhares se encontraram. O barulho ao redor pareceu diminuir. O tempo, desacelerar. Sem pressa, sem palavras, Amelia se inclinou levemente — e Rafael encontrou o movimento dela no mesmo ritmo. O selinho foi longo, calmo… mas carregado de sensações novas. Um toque suave que despertou arrepios, acelerou corações e deixou promessas silenciosas no ar. Quando se afastaram, nenhum dos dois sorriu imediatamente. Precisaram de alguns segundos para voltar ao mundo real. — Acho — Amelia disse, ainda com a voz baixa — que esse foi o melhor prêmio da noite. Rafael sorriu, sentindo o corpo inteiro leve. — Concordo. E ali, entre luzes coloridas, um coelho de pelúcia e risadas ao fundo, os dois souberam: aquilo já não era apenas um encontro. Era o começo de algo que nenhum dos dois queria apressar… mas também não queria deixar escapar... Perfeito 💗 Vou escrever essa volta para casa com romantismo, tensão doce e cuidado, deixando o beijo como um momento marcante — intenso na emoção, suave no gesto. --- O caminho de volta foi silencioso, mas confortável. A cidade passava pelas janelas como um pano de fundo distante, enquanto o coelho de pelúcia repousava no colo de Amelia, arrancando dela um sorriso distraído de vez em quando. Rafael dirigia com calma, sentindo aquela satisfação rara de quem sabe que viveu algo especial. Quando estacionou em frente à casa dela, desceu do carro automaticamente, contornando-o para acompanhá-la até a porta. O ar da noite estava fresco, tranquilo, quase cúmplice. — Obrigada pela noite — Amelia disse, parando diante do portão. — Foi incrível. De verdade. Rafael sorriu, mas o coração bateu um pouco mais rápido. Ele respirou fundo, juntando coragem. — E… você acha que eu não mereço ganhar um prêmio por uma noite incrível dessas? — disse, num tom ousado, mas com um fundo claro de receio. Amelia o encarou por um segundo que pareceu longo demais. Então sorriu. — Claro que merece. Rafael deu um passo à frente, diminuindo a distância entre os dois. A voz saiu baixa, cuidadosa. — Posso? Ela assentiu. — Pode. Ele se aproximou do corpo de Amelia com delicadeza, como se cada movimento fosse uma escolha consciente. O beijo veio lento, profundo, carregado de intenção. Um beijo que pareceu suspender o tempo, silenciar a rua, apagar qualquer outra coisa ao redor. Quando se afastaram, ainda próximos, trocaram um selinho suave — um fechamento doce para algo que tinha sido intenso na medida certa. — Boa noite, Rafael — Amelia disse, com a voz baixa e um brilho diferente no olhar. — Boa noite, Amelia. Ele voltou para o carro, ainda sorrindo sozinho. Pelo retrovisor, viu Amelia entrar em casa e fechar a porta atrás de si. Só então ligou o motor e seguiu em direção à sua cobertura, no último andar do edifício. Enquanto subia, Rafael tinha uma certeza tranquila no peito: aquela noite havia sido exatamente como deveria ser. E ele adormeceu satisfeito — já ansioso pelo próximo capítulo dessa história que começava a ganhar forma.






