Mundo de ficçãoIniciar sessãoAo herdar a fazenda do avô no oeste selvagem, Laura Miller deixa Nova Iorque para trás e viaja para o Texas. Contudo, ela descobre que não será tão fácil chegar na propriedade localizada em território hostil. Para isso, Laura irá precisar da ajuda de Daniel Donovan, um texano vigarista e aproveitador.
Ler maisLaura Miller ficou ereta no assento do trem e soltou um suspiro alto. Naquela posição desconfortável há horas, ela estava dolorida. Se o homem sentado à sua frente tivesse uma noção mínima de cavalheirismo, encolheria as pernas longas e abertas para dar um pouco mais de espaço para ela.
Parecia que anos haviam se passado desde que Laura deixou o conforto de Nova Iorque, por aquela viagem de trem longa e desgastante. Se não estivesse desesperada para vender a fazenda que herdou do avô, ela não teria se prestado a tamanha loucura. No início, só ela ocupava o assento duro, o que tornava a viagem um pouco tolerável. Porém, no território do Novo México, um casal se juntou à ela no minúsculo vagão do trem. A mulher sentou ao seu lado sem sequer a cumprimentar, e o que parecia ser o marido dela, sentou na frente de Laura e arreganhou as pernas, lhe tirando o mínimo conforto. Os dois caíram no sono assim que o trem zarpou com destino ao Texas. Pelo menos, Laura pensou que estaria em El Paso ao anoitecer e iria se encontrar com Gabriel, o amigo do seu avô que a levaria até a fazenda. Ela poderia descansar por alguns dias, vender a propriedade, e com sorte, estaria de volta à Nova Iorque em duas semanas. Com o dinheiro na conta, Laura tinha planos para abrir o próprio negócio, sua tão sonhada loja de roupas feitas por ela mesma que tinha aprendido a costurar com a mãe. As mulheres nova-iorquinas tinham apreciação pela sua alta costura com seus belos vestidos de noiva, festas e formaturas. Laura também confeccionava lindos ternos para os homens da alta sociedade. O que fazia a viagem valer a pena, era o seu desejo de se tornar uma grande modista com seu próprio ateliê. Ela já tinha muitos clientes e precisava de um local adequado para trabalhar e vender suas roupas. Exasperada, Laura cutucou a perna do estranho com o joelho. Ela sentiu os músculos rijos dele através do tecido fino do seu vestido branco, e sentiu sua pele negra da cor de café ficar quente. Laura não tinha o hábito de encostar em estranhos, e aquilo a deixou sem jeito. Um estranho atraente de cabelos loiros, olhos azuis e barba comprida. Apesar das roupas dele serem de boa qualidade, ele não parecia ser um homem decente por estar com o joelho entre as pernas dela. Laura perdeu a paciência. - Senhor, poderia por favor encolher as pernas? Os olhos azuis se abriram. - O que disse? - Ele perguntou ainda sonolento. Laura apontou para as pernas coladas às dele e disse com frieza: - Preciso de mais espaço. Aaron Johnson passou a mão no rosto. Lentamente, ele endireitou no assento e olhou para a esposa adormecida com uma careta de descaso. Ele voltou os olhos azuis para Laura, e observou a beldade sentada na sua frente. A julgar pelo vestido muito bem confeccionado e pelo nariz empinado, Aaron concluiu que era uma sulista mimada. Ou talvez não. Uma sulista mimada jamais encostaria nele ou lhe sustentaria o olhar de forma tão direta. Ele sorriu. Laura perdeu o fôlego. Aquele homem não se parecia em nada com os homens educados de Nova Iorque. Aquele sorriso maroto provocaria um burburinho entre o público feminino nos salões de festas nova-iorquinos. - Aaron Johnson. - Laura Miller. - Senhora ou senhorita? - Senhorita Miller. Desculpa por tê-lo acordado. Eu estava desconfortável. Aaron se inclinou para frente quase até seu rosto corado pelo calor encostar no rosto negro de Laura. - Pode me acordar sempre que quiser. A mulher ficou sem palavras diante de tamanha ousadia. Aaron voltou a recostar no assento, piscou e fechou os olhos azuis. Exalando cheiro de bebida alcoólica, ele voltou a dormir. Laura respirou fundo e alisou a barra do vestido. Aquele era o tipo de pessoa que ela conheceria ao viajar para o oeste selvagem. Ela ficou temerosa, mas decidida a continuar com os seus planos de uma vida melhor. Gabriel Tanner abriu caminho por entre a multidão que se aglomerava na plataforma de El Paso. Melhor amigo de David Miller, ele se dispôs a receber Laura Miller e levá-la até o hotel. Provavelmente, a mulher estaria exausta após a longa jornada até o Texas com seu calor escaldante. Ela tinha se mudado para Nova Iorque após a morte dos pais há alguns anos, e parecia ter se estabelecido por lá. Gabriel estava certo que Laura queria vender a fazenda para voltar para o extremo sul o quanto antes. Ele correu ao vê-la descendo do trem com uma mala pequena, o que só reforçou o óbvio. Ela não ficaria muito tempo. Sua estadia seria breve. Gabriel pegou a mala e sorriu com entusiasmo. - Olá, Laura. Fez boa viagem? A mulher endireitou o corpo esbelto e respirou fundo. O sol da tarde ainda estava alto no grande estado do Texas apesar de ser quase seis horas. - Uma viagem medonha, Gabe. O homem negro sorriu, conduzindo Laura para fora da plataforma, e indo em direção ao hotel Madison. - Você precisa de um banho frio, uma boa refeição e uma excelente noite de sono. Amanhã, quando estiver melhor, nós conversamos. Já devo adiantar que as coisas por aqui mudaram bastante nos últimos anos. Laura apenas assentiu e entrou no hotel onde sua reserva estava pronta. Ela se registrou e pegou a chave do quarto. Gabriel a seguiu escada acima carregando a mala, e quando os dois pararam em frente ao quarto, ele disse envergonhado: - Desculpa por não recebê-la na minha casa. Os meus meninos cresceram em tamanho, e pararam de crescer nas ideias quando tinham cinco anos. Laura se lembrava vagamente dos três filhos de Gabriel. Ela agradeceu aos céus por ele poupa-la de ter que recusar ficar em sua casa. Ela sorriu compreensiva. - Obrigada, Gabe. Nos vemos amanhã. - Sim. Eu vou trazer o seu guia. Laura franziu a testa negra. Ela não entendeu. - Guia? - Sim. A fazenda do seu avô agora fica perto de território selvagem que pertence aos índios. Chocada, Laura levou a mão no peito. - Meu Deus, que horror! - Não se preocupe. Daniel Donovan é o único que fala indígena por essas bandas e tem uma lábia maior do que o Texas. Há quem diga que o avô dele era um curandeiro e ele tem sangue de índio. Laura estava desconcertada. - Ele é confiável? Gabriel sorriu malicioso. - Por uma boa quantia, ele a levará ao seu destino em segurança. É o trabalho dele atravessar pessoas pelo território indígena. Cética e irritada, Laura bufou. - Já tem dez anos que eu fui embora. Eu lembro que o meu avô disse para mim só voltar quando ele morresse por causa dos índios que estavam se estabelecendo por aqui. - Índios, pistoleiros e todos os tipos de foras da lei. Seu avô salvou a fazenda por você. E o vizinho dele, o Brooklyn, tem interesse em compra-la. Ela vale muito dinheiro por ter o solo fértil. Laura assentiu lentamente. - Tudo bem. Eu realmente preciso de um descanso agora. - Eu estarei aqui pela manhã com o Donovan. - Gabriel hesitou antes de dizer a verdade. - Ele é um homem difícil de lidar, porém, é dele que você precisa para chegar na fazenda. - Ok. Boa noite, Gabe. Por enquanto, obrigada por tudo. - Eu estou à disposição. Boa noite. Laura entrou no quarto. Não era um hotel cinco estrelas, mas pelo menos ela poderia tomar banho e dormir em uma cama após noites dormindo sentada no trem. Ela estava triste pela partida do avô, e brava por precisar da droga de um guia. Mas o tal neto de curandeiro, não iria lhe passar a perna de jeito nenhum. Tava pra nascer o homem que iria fazê-la abaixar a cabeça.Três meses depois...- Eu, Daniel Donovan, aceito você, Laura Miller, como minha legítima esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe.De vestido de noiva, véu e grinalda, Laura repetiu os votos matrimoniais enquanto trocava alianças com o seu cowboy bruto e possessivo. Donovan estava mais lindo do que tinha direito, com o smoking preto feito sob medida e adaptado para o seu antebraço.- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.Donovan retirou o véu de Laura com reverência e se inclinou para beija-la. Aplausos, gritos e assobios foram ouvidos na igreja de Lafayette. Os recém casados molharam a pena no tinteiro, e assinaram a certidão de casamento. O buquê foi jogado para trás, e simplesmente, caiu nos braços de Cash. O ruivo evitou olhar para Brooklyn que mantinha o relacionamento deles escondido a sete chaves. Em público, os dois fingiam que nã
Após o temporal de verão, o sol voltou a aparecer no final da tarde, pincelando o céu azul com nuances alaranjadas no vasto horizonte. Cash não se importou de caminhar pela estrada enlameada até a fazenda de Brooklyn. O ar fresco serviu para clarear seus pensamentos.Jake tocou na aba do chapéu e apontou para o estábulo onde o patrão checava os estragos da chuva. Algumas telhas tinham voado com a força dos ventos, e Brooklyn não estava de bom humor. Os cavalos estavam agitados, e aquilo o deixava tão irado quanto a fúria da natureza. Ultimamente, se irritava com facilidade.Cash ganhou um olhar raivoso e olhou com desinteresse para Brooklyn. Em seguida, olhou para o teto onde faltava algumas telhas.- Donovan me contou o que você fez com o tio do Liam.O fazendeiro permaneceu em silêncio, observando os fios avermelhados do cabelo sedoso do ruivo, e a forma como a costeleta em linha reta, chegava até seu rosto másculo, desenhando sua barba bem feita. Ele era lindo. Brooklyn colocou as
Laura colocou a toalha no ombro e cruzou os braços com uma feição séria. Com um sorriso travesso de quem sabia que tinha sido desobediente, Liam se escondeu atrás das pernas de Donovan. Igualmente molhado, o texano sorriu zombeteiro.- Alguns pingos de chuva não matam ninguém.- Ele está desnutrido, não pode pegar um resfriado.Laura se aproximou de Donovan que a agarrou pela cintura e a beijou em cheio nos lábios carnudos. Ele não deu tempo para ela protestar e disse sério:- Você terá muito tempo para cuidar dele.A nova-iorquina pousou as mãos no peito largo e molhado do texano. Ela olhou no fundo dos seus olhos e sorriu hesitante.- Verdade?Donovan assentiu com o corpo quente e curvilíneo de Laura moldado ao dele. Ela soube que o pai de Liam tinha ido dessa pra pior, e acariciou a sua nuca.- Obrigada.- Conversaremos mais tarde.- Vai tirar essa roupa molhada. Eu vou servir o seu almoço.- Tá bom.Donovan pegou Liam pela orelha, mas sem machuca-lo, e o empurrou para Laura.- Ob
Donovan pegou carona na Ford F-75 de Brooklyn até a cidade de Lafayette com pouco mais de dez mil habitantes. A cidade empoeirada era composta por casas suntuosas, edifícios, bares, restaurantes, bordéis onde as damas da noite ofereciam seus serviços para forasteiros e pistoleiros, agência de correios, bancos, farmácias e lojas que vendiam todos os tipos de coisas desde carne e leite, até remédios e gasolina. A delegacia de Lafayette que também servia como cadeia, ficava localizada na avenida principal, tendo como xerife Clark Benson. Um velho de cabelos grisalhos e rosto enrugado pelos anos de trabalho duro debaixo do sol escaldante do Texas. A igreja cristã bem construída com madeira maciça pintada de branco, e com uma cruz no alto, ficava no centro da cidade, envolta por um jardim florido e bem cuidado. O hospital recém reformado, ficava em terreno mais elevado ao sul de Lafayette, assim como o cemitério.Donovan não confiava em bancos, e por isso, ele descontou o cheque e saiu
Último capítulo