DONOVAN | Escorpião Apaixonado

DONOVAN | Escorpião Apaixonado PT

Romance
Última atualização: 2026-07-14
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Ao herdar a fazenda do avô no oeste selvagem, Laura Miller deixa Nova Iorque para trás e viaja para o Texas. Contudo, ela descobre que não será tão fácil chegar na propriedade localizada em território hostil. Para isso, Laura irá precisar da ajuda de Daniel Donovan, um texano vigarista e aproveitador.

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Capítulo 1

Capítulo 1

Laura Miller ficou ereta no assento do trem e soltou um suspiro alto. Naquela posição desconfortável há horas, ela estava dolorida. Se o homem sentado à sua frente tivesse uma noção mínima de cavalheirismo, encolheria as pernas longas e abertas para dar um pouco mais de espaço para ela.

Parecia que anos haviam se passado desde que Laura deixou o conforto de Nova Iorque, por aquela viagem de trem longa e desgastante. Se não estivesse desesperada para vender a fazenda que herdou do avô, ela não teria se prestado a tamanha loucura.

No início, só ela ocupava o assento duro, o que tornava a viagem um pouco tolerável. Porém, no território do Novo México, um casal se juntou à ela no minúsculo vagão do trem.

A mulher sentou ao seu lado sem sequer a cumprimentar, e o que parecia ser o marido dela, sentou na frente de Laura e arreganhou as pernas, lhe tirando o mínimo conforto. Os dois caíram no sono assim que o trem zarpou com destino ao Texas.

Pelo menos, Laura pensou que estaria em El Paso ao anoitecer e iria se encontrar com Gabriel, o amigo do seu avô que a levaria até a fazenda. Ela poderia descansar por alguns dias, vender a propriedade, e com sorte, estaria de volta à Nova Iorque em duas semanas.

Com o dinheiro na conta, Laura tinha planos para abrir o próprio negócio, sua tão sonhada loja de roupas feitas por ela mesma que tinha aprendido a costurar com a mãe.

As mulheres nova-iorquinas tinham apreciação pela sua alta costura com seus belos vestidos de noiva, festas e formaturas. Laura também confeccionava lindos ternos para os homens da alta sociedade.

O que fazia a viagem valer a pena, era o seu desejo de se tornar uma grande modista com seu próprio ateliê. Ela já tinha muitos clientes e precisava de um local adequado para trabalhar e vender suas roupas.

Exasperada, Laura cutucou a perna do estranho com o joelho. Ela sentiu os músculos rijos dele através do tecido fino do seu vestido branco, e sentiu sua pele negra da cor de café ficar quente. Laura não tinha o hábito de encostar em estranhos, e aquilo a deixou sem jeito.

Um estranho atraente de cabelos loiros, olhos azuis e barba comprida. Apesar das roupas dele serem de boa qualidade, ele não parecia ser um homem decente por estar com o joelho entre as pernas dela.

Laura perdeu a paciência.

- Senhor, poderia por favor encolher as pernas?

Os olhos azuis se abriram.

- O que disse? - Ele perguntou ainda sonolento.

Laura apontou para as pernas coladas às dele e disse com frieza:

- Preciso de mais espaço.

Aaron Johnson passou a mão no rosto. Lentamente, ele endireitou no assento e olhou para a esposa adormecida com uma careta de descaso. Ele voltou os olhos azuis para Laura, e observou a beldade sentada na sua frente.

A julgar pelo vestido muito bem confeccionado e pelo nariz empinado, Aaron concluiu que era uma sulista mimada. Ou talvez não. Uma sulista mimada jamais encostaria nele ou lhe sustentaria o olhar de forma tão direta. Ele sorriu.

Laura perdeu o fôlego. Aquele homem não se parecia em nada com os homens educados de Nova Iorque. Aquele sorriso maroto provocaria um burburinho entre o público feminino nos salões de festas nova-iorquinos.

- Aaron Johnson.

- Laura Miller.

- Senhora ou senhorita?

- Senhorita Miller. Desculpa por tê-lo acordado. Eu estava desconfortável.

Aaron se inclinou para frente quase até seu rosto corado pelo calor encostar no rosto negro de Laura.

- Pode me acordar sempre que quiser.

A mulher ficou sem palavras diante de tamanha ousadia. Aaron voltou a recostar no assento, piscou e fechou os olhos azuis. Exalando cheiro de bebida alcoólica, ele voltou a dormir.

Laura respirou fundo e alisou a barra do vestido. Aquele era o tipo de pessoa que ela conheceria ao viajar para o oeste selvagem. Ela ficou temerosa, mas decidida a continuar com os seus planos de uma vida melhor.

Gabriel Tanner abriu caminho por entre a multidão que se aglomerava na plataforma de El Paso. Melhor amigo de David Miller, ele se dispôs a receber Laura Miller e levá-la até o hotel. Provavelmente, a mulher estaria exausta após a longa jornada até o Texas com seu calor escaldante.

Ela tinha se mudado para Nova Iorque após a morte dos pais há alguns anos, e parecia ter se estabelecido por lá. Gabriel estava certo que Laura queria vender a fazenda para voltar para o extremo sul o quanto antes.

Ele correu ao vê-la descendo do trem com uma mala pequena, o que só reforçou o óbvio. Ela não ficaria muito tempo. Sua estadia seria breve. Gabriel pegou a mala e sorriu com entusiasmo.

- Olá, Laura. Fez boa viagem?

A mulher endireitou o corpo esbelto e respirou fundo. O sol da tarde ainda estava alto no grande estado do Texas apesar de ser quase seis horas.

- Uma viagem medonha, Gabe.

O homem negro sorriu, conduzindo Laura para fora da plataforma, e indo em direção ao hotel Madison.

- Você precisa de um banho frio, uma boa refeição e uma excelente noite de sono. Amanhã, quando estiver melhor, nós conversamos. Já devo adiantar que as coisas por aqui mudaram bastante nos últimos anos.

Laura apenas assentiu e entrou no hotel onde sua reserva estava pronta. Ela se registrou e pegou a chave do quarto. Gabriel a seguiu escada acima carregando a mala, e quando os dois pararam em frente ao quarto, ele disse envergonhado:

- Desculpa por não recebê-la na minha casa. Os meus meninos cresceram em tamanho, e pararam de crescer nas ideias quando tinham cinco anos.

Laura se lembrava vagamente dos três filhos de Gabriel. Ela agradeceu aos céus por ele poupa-la de ter que recusar ficar em sua casa. Ela sorriu compreensiva.

- Obrigada, Gabe. Nos vemos amanhã.

- Sim. Eu vou trazer o seu guia.

Laura franziu a testa negra. Ela não entendeu.

- Guia?

- Sim. A fazenda do seu avô agora fica perto de território selvagem que pertence aos índios.

Chocada, Laura levou a mão no peito.

- Meu Deus, que horror!

- Não se preocupe. Daniel Donovan é o único que fala indígena por essas bandas e tem uma lábia maior do que o Texas. Há quem diga que o avô dele era um curandeiro e ele tem sangue de índio.

Laura estava desconcertada.

- Ele é confiável?

Gabriel sorriu malicioso.

- Por uma boa quantia, ele a levará ao seu destino em segurança. É o trabalho dele atravessar pessoas pelo território indígena.

Cética e irritada, Laura bufou.

- Já tem dez anos que eu fui embora. Eu lembro que o meu avô disse para mim só voltar quando ele morresse por causa dos índios que estavam se estabelecendo por aqui.

- Índios, pistoleiros e todos os tipos de foras da lei. Seu avô salvou a fazenda por você. E o vizinho dele, o Brooklyn, tem interesse em compra-la. Ela vale muito dinheiro por ter o solo fértil.

Laura assentiu lentamente.

- Tudo bem. Eu realmente preciso de um descanso agora.

- Eu estarei aqui pela manhã com o Donovan. - Gabriel hesitou antes de dizer a verdade. - Ele é um homem difícil de lidar, porém, é dele que você precisa para chegar na fazenda.

- Ok. Boa noite, Gabe. Por enquanto, obrigada por tudo.

- Eu estou à disposição. Boa noite.

Laura entrou no quarto. Não era um hotel cinco estrelas, mas pelo menos ela poderia tomar banho e dormir em uma cama após noites dormindo sentada no trem.

Ela estava triste pela partida do avô, e brava por precisar da droga de um guia. Mas o tal neto de curandeiro, não iria lhe passar a perna de jeito nenhum. Tava pra nascer o homem que iria fazê-la abaixar a cabeça.

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