Capítulo 5

Laura se sentiu miserável. Por muito tempo, a imagem da índia ficaria em seus pensamentos, assim como a dor nos olhos do marido dela. Entretanto, para esquecer o episódio desumano, Laura fechou os olhos para repassar na mente inquieta, a sensação de estar nos braços de um homem pela primeira vez na vida.

Ela era virgem, mas não era inocente. Ao agarra-la por trás para que ela não pudesse tocar na índia, Donovan não perdeu a oportunidade de pressionar seu membro contra a bunda dela. Foi algo inapropriado e grosseiro.

Seu guia era um homem selvagem por natureza, primitivo por opção, e mau caráter por diversão. Ele matava com um sorriso sereno, como se estivesse fazendo algo corriqueiro, normal, e até mesmo, banal.

Tudo bem que no oeste era matar ou morrer, mas Donovan tinha o olhar de quem gostava de matar. Ele não hesitava em puxar o gatilho, como se o revólver fosse uma extensão do seu corpo e a liberação da sua mente sempre engatilhada.

Ele fedia a álcool e cigarro, tinha uma expressão sombria, era ameaçador com seu porte físico imponente, olhar penetrante e voz cavernosa. Donovan era a personificação de um fora da lei.

Laura nunca tinha conhecido alguém como ele, e por isso, ela não soube o que fazer com as ondas de calor que percorreram seu corpo ao ser tocada com tamanha intimidade e ousadia.

Ela chegou a pensar em deixar aquilo passar, porém, não queria ser traída pelo seu próprio corpo. Aos vinte e oito anos, ela ainda sonhava em se casar virgem e por amor. Em Nova Iorque, ela encontraria o seu príncipe encantado que iria ama-la e respeita-la.

- Donovan.

- Sim?

Laura respirou fundo, abriu os olhos e olhou para o lado. Donovan dirigia de forma relaxada no assento, com o braço para fora da janela, e fumando outro cigarro. O homem era uma chaminé.

- Eu não gostei da forma como você me agarrou. Eu fui insultada.

Donovan ficou desacreditado. Não era possível que existisse uma mulher tão santa e sensível. Ele bufou exasperado antes de dizer sério:

- Não havia outra forma de para-la.

- Não volte a me tocar.

Donovan apontou para os telhados que surgiram no horizonte.

- Kimbell.

- Você ouviu o que eu disse? Eu não quero saber de você me agarrando.

- Sim, senhorita. Se eu estivesse com o meu chapéu de cowboy, eu tocaria na aba dele em sinal de que entendi o seu pedido. Quando um texano toca na aba do chapéu, pode confiar.

Laura estreitou os olhos e ergueu a voz.

- Não zombe de mim, Donovan! E não é um pedido, é uma ordem!

Laura ganhou um olhar desinteressado.

- Se você tivesse tocado naquela índia, seríamos dois amaldiçoados agora. Eu não fui com segundas intenções. Você está histérica com medo de ceder aos meus encantos. Mas não se preocupe, eu gosto de mulheres que sabem o que fazer na cama.

Laura sentiu o rosto negro queimar, mas desdenhou.

- Isso é notável.

Donovan deu um sorriso enigmático. Ele mordeu a língua para não cutucar a onça com vara curta. Laura era uma puritana do caralho, e tipos como ela, eram as mais safadas na cama. E pior do que isso, tipos como a Senhorita Miller, faziam um homem gemer sem sentir dor.

Donovan imaginou o seu pau enorme dentro daquela boquinha em formato de coração e reprimiu um gemido. Ele estaria em maus lençóis se baixasse a guarda, e disse em um tom rude:

- Nós vamos almoçar e seguir viagem. Eu tenho que estar em Austin às cinco horas.

- O que tem em Austin?

- O maior rodeio do Texas.

Laura franziu a testa.

- Você é peão de rodeio também?

- São os oito segundos mais longos da minha vida, mas eu gosto de estar em cima de um animal que pesa mais de uma tonelada. Eu gosto de ouvir os gritos eufóricos da plateia, e gosto mais ainda de receber o prêmio.

- Eu ouvi dizer que pagam muito bem. Não tem necessidade de você querer me roubar quinhentos dólares.

Donovan endureceu o semblante.

- Quando chegarmos em Louisiana, no território dos Sioux, você vai descobrir que eu valho cada centavo.

Laura preferiu ficar calada. Donovan não valia era nada. Ela ficou aliviada por poder tomar banho e trocar de roupa no único hotel de Kimbell. Ao sair do banho enrolada em uma toalha, Laura abriu a mala que estava sobre a cama e escolheu um vestido azul claro que ela mesma tinha feito.

Uma batida forte na porta do quarto a fez pular de susto.

- O restaurante do hotel vai fechar em trinta minutos.

- Eu estou indo.

Atento a tudo à sua volta, Donovan andava de um lado para o outro em frente ao quarto da Senhorita Miller. Ele colocou os polegares dentro do cinto de couro preto e esperou.

O fora da lei tinha tomado banho e trocado de roupa. Ele tinha uma casa em El Paso, porém, vivia na estrada e carregava peças de roupa, calçados e outras coisas mais.

Donovan tinha escolhido sua camisa preta da sorte para participar do rodeio, e notou o pequeno rasgo no ombro direito.

- Por acaso você tem linha e agulha? Mulheres prendadas sempre andam com essas coisas.

Laura olhou para a porta fechada e ajeitou o vestido longo e confortável.

- Sim. Eu sou costureira.

- Pode dar uns pontos na minha blusa?

Laura mordeu o lábio inferior. Seu coração disparou e suas pernas se tornaram inúteis. Havia quase uma vulnerabilidade na voz de Donovan ao fazer o pedido. Ela poderia se negar a ajudá-lo, mas lhe faltou coragem.

- Sim.

- Eu posso entrar?

- Entra.

Lentamente, Donovan abriu a porta. Curvada sobre a mala, Laura pegou uma pequena bolsa, se virou e sorriu para ele. Sim, ela sorriu orgulhosa do seu kit de costura.

- Eu tenho linha e agulha.

Ligeiramente com as pernas bambas, Donovan sentou na cama que cedeu com o seu peso. Para sua sorte, Laura viu o rasgo na camisa. Ele não saberia dizer se seria capaz de responder caso ela perguntasse onde era para fazer o remendo. Ela sorriu para ele. Droga, um simples sorriso angelical e o fora da lei ficou arisco como um touro.

Laura pegou o carretel de linha preta e cortou um pedaço que dava para fazer o remendo. Ela não soube como conseguiu passar a linha pelo fundo da agulha.

Ao se aproximar de Donovan, os seus olhos recaíram sobre os cabelos castanhos escuros e úmidos dele, sua pele sedosa pelo banho recente e seu corpo ereto e tenso. Laura começou a costurar e seus dedos tocaram o ombro de Donovan. Duro feito pedra.

- Parece tenso.

- Eu não quero ser espetado. - Os olhos escuros do texano estavam no ventre liso de Laura. - Depressa, eu quero comer.

"Eu quero te foder."

- Não tem medo de um touro bravo, mas tem medo de uma agulha?

Donovan baixou o olhar para os pés delicados de Laura. Ela ainda estava descalça e ele cerrou os punhos.

- Eu não tenho medo de nada.

- Bom pra você.

Disfarçadamente, em um rompante de loucura, Laura encostou a mão no pescoço de Donovan onde tinha uma tatuagem indígena. Ela sorriu quando ele estremeceu e perguntou com frieza:

- Pronto?

Laura arrematou a costura que ficou imperceptível.

- Pronto.

Após o almoço, Donovan partiu para Austin sem ter a menor condição de montar. Ele já tinha ganhado as outras etapas do rodeio e precisava ganhar a final. Entretanto, Laura era uma ameaça fodida à sua preparação psicológica para o grande prêmio de Austin.

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