Capítulo 57, Voltando ao passado.
(Helena)
A noite já tinha se estendido além do que eu podia suportar. O relógio marcava quase duas da manhã quando me sentei diante da escrivaninha no quarto de hóspedes — o único lugar onde eu ainda conseguia respirar sem sentir o peso da presença de Augusto. Abri o diário de capa azul que guardava no fundo do armário, quase escondido de mim mesma. Fazia anos que eu não escrevia, mas naquela madrugada precisei. Se não colocasse as palavras no papel, sentia que meu peito iria explodir.
“Hoje vo