Eduardo
A luz que entrou pela fresta da cortina foi se espalhando devagar, do carpete ao lençol amarrotado, até alcançar o rosto de Laís. Ela dormia de lado, um braço sob o travesseiro, a boca entreaberta num descanso que me deixou em silêncio. Havia vestígios do dia anterior no corpo da casa: botas com barro perto da porta, duas garrafas d’água vazias na cômoda, o cheiro discreto de terra e sabonete. E havia vestígios de nós: a blusa dela pendurada no abajur, um rastro de risos, nossa respiraç