O som das buzinas era uma cicatriz aberta no ar da cidade. Lorenzo segurava Isadora nos braços como se sua própria existência dependesse da dela. O corpo dela ainda estava mole, os olhos fechados, o pescoço marcado pelas mãos de Marcelo como uma confissão violenta e covarde. O sangue escorria de um pequeno corte no canto da boca dela, e Lorenzo não conseguia parar de olhar.
— Você vai ficar bem, coelhinha... — ele murmurava, repetidas vezes, como uma prece desesperada — Eu estou aqui. Eu estou