Mundo de ficçãoIniciar sessãoOs dias no escritório começaram a ganhar um ritmo confortável. A rotina de conferir relatórios e organizar arquivos, que antes parecia um desafio, tornou-se quase automática. No entanto, havia uma parte daquela rotina que meu coração, ainda que discretamente, insistia em esperar todos os dias.
Frederico.
Ele era exatamente o oposto do ambiente corporativo sério. Enquanto a maioria das pessoas andava pelos corredores de cenho franzido, Frederico tinha a capacidade de arrancar sorrisos por onde passava. E, para a minha surpresa, ele parecia fazer questão de direcionar muitos desses sorrisos para a minha mesa.
Tudo começou com pequenos detalhes.
Na manhã de terça-feira, encontrei uma xícara de café fumegante sobre a minha mesa antes mesmo de ligar o computador. Ao lado, um pequeno bilhete com uma caligrafia firme: "Para ajudar a encarar as planilhas de hoje. Bom trabalho, Antonella." Olhei para a estação de trabalho dele e o vi concentrado ao telefone, mas houve um milésimo de segundo em que seus olhos cruzaram os meus e ele assentiu, discreto.
Aquilo aqueceu meu peito de uma forma que eu não sabia explicar. Havia tanto tempo que eu não me sentia cuidada, mesmo que em um gesto tão simples. Sempre fui tão rejeitada e maltratada pelo meu pai que eu jamais imaginei que veria um homem cuidando de mim sem um interesse qualquer.
Com o passar das semanas, as pequenas gentilezas se transformaram em conversas durante o almoço. Descobri que compartilhávamos o gosto por livros antigos e músicas calmas. Frederico me ouvia com uma atenção genuína, ele tinha um olhar penetrante que me deixava extremamente arrepiada, mas ao mesmo tempo sentia que ele podia somente com esse olhar, ver toda a minha alma.. Quando eu falava sobre meus sonhos e a minha vontade de vencer, ele não apenas balançava a cabeça; ele guardava os detalhes.
— Você tem uma força rara, Antonella — ele disse em uma tarde, enquanto caminhávamos de volta do almoço. O vento fresco do outono bagunçou seu cabelo, e ele parou o passo por um instante, olhando-me nos olhos. — O mundo pode ser duro, mas a sua essência continua intacta. Eu admiro isso em você.
Minhas mãos seguraram a alça da bolsa com um pouco mais de força para disfarçar o tremor. O olhar dele transmitia uma proteção tão sincera naquele instante que, por um momento, me permiti baixar a guarda. Eu estava guardando meu coração, orando para caminhar nos trilhos certos, e Frederico parecia ser um sinal de que dias melhores haviam chegado.
Naquela mesma semana, após um dia exaustivo de auditoria, fomos os últimos a sair do andar. Enquanto esperávamos o elevador, o silêncio entre nós não era desconfortável; era preenchido por uma expectativa doce.
Quando as portas se abriram e entramos no cubículo espelhado, Frederico deu um passo para mais perto. O perfume dele, suave e marcante, deixou o espaço pequeno. Ele ergueu a mão e, com uma delicadeza extrema, afastou uma mecha de cabelo que caía sobre o meu rosto. Seus dedos roçaram de leve na minha pele, um toque casto, mas que fez meu mundo parar.
Ele se inclinou devagar e tocou minha testa com os lábios, em um beijo demorado, cheio de um carinho que pedia permissão para ficar.
— Obrigado por tornar os meus dias aqui muito melhores, Antonella — ele sussurrou, com o olhar brilhando de uma forma que me transmitia total segurança.
Sorri, sentindo uma paz profunda inundar minha alma. Eu acreditava em cada palavra, em cada gesto, em cada olhar de Frederico. Ele era um homem livre, gentil e parecia ler a minha alma como ninguém. Naquele momento, enquanto o elevador ganhava o térreo, senti que aquele era apenas o primeiro capítulo de uma linda história que iluminaria o meu recomeço.







