O restante da manhã seguiu sob uma calmaria aparente, mas a tensão na nossa fileira de mesas era quase palpável. Eu tentava manter meus olhos fixos nas planilhas, mas minha mente insistia em repassar o olhar que Frederico havia me direcionado mais cedo.Por volta das onze horas, o som de saltos altos estalando no piso anunciou a aproximação de Letícia. Ela parou bem ao lado da minha baia, segurando uma caneca de café fumegante. Ao invés de falar sobre trabalho, ela adotou um tom de voz casual, alto o suficiente para que apenas eu ouvisse, mas com aquela falsa simpatia que esconde garras afiadas.— O ritmo hoje está insano, não é, Antonella? — ela começou, apoiando-se de leve na divisória da minha mesa. — Ver o Frederico assumindo a chefia assim me traz tantas lembranças... Sabe, no ano passado, passamos por uma auditoria parecida. Ficávamos até de madrugada trancados na sala dele, resolvendo tudo sozinhos.Eu ergui os olhos, tentando manter a expressão neutra, mas senti meu estômago d
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