Confiança Quebrada: Uma Traição Inesperada
Confiança Quebrada: Uma Traição Inesperada
Por: Helena Montalvão
Capítulo 01

 

Dizem que os recomeços têm cheiro de chuva fresca, mas para mim, tinham cheiro de café forte e folhas de papel novas.

Quando passei pelas portas giratórias daquele edifício no centro da cidade de Londres, diga-se de passagem uma cidade extremamente movimentada durante o dia, meu coração batia num ritmo acelerado, misturando o medo do desconhecido com a urgência de dar certo. Eu precisava daquele emprego. Mais do que pelo salário, eu precisava provar para mim mesma que era capaz de reconstruir minha história do zero. Depois que resolvi sair da casa dos meus pais, após a briga que tivemos, eu decidi que iria mudar até do país, então saí de Portugal, disposta a recomeçar a vida na Inglaterra.

Ajeitei a saia do meu vestido, respirei fundo e caminhei até a recepção.

— Bom dia. Sou a nova contratada do setor administrativo — disse, tentando manter a voz o mais firme possível.

A recepcionista me deu um sorriso mecânico e me orientou a subir até o quinto andar. O elevador parecia espelhar a minha própria ansiedade, subindo rápido demais. Quando as portas se abriram, o som de telefones tocando, passos rápidos, o cheiro de café e o clique-clique dos teclados me envolveu imediatamente. Era um mundo novo.

Fui conduzida até a minha mesa por uma supervisora simpática, que me explicou brevemente as funções do dia. Olhei para a pilha de pastas à minha frente. Sorri. Eu estava pronta para trabalhar duro, decidida a entregar o melhor que podia.

Passei as primeiras horas concentrada, imersa em planilhas e relatórios. Eu reuni toda a minha força ali. Estava tão focada que nem percebi quando o movimento ao meu redor silenciou um pouco, até que uma sombra se projetou sobre a minha mesa.

— Então você é a nova energia que veio salvar o nosso setor? Estava ansioso para conhecê-la.

Ergui os olhos.

À minha frente, segurando uma caneca de café, estava um rapaz. Ele tinha um sorriso aberto, daqueles que parecem iluminar o ambiente, e um olhar que transmitia uma segurança imediata. Não era apenas bonito; havia uma leveza nele que quebrava toda a seriedade daquele escritório cinzento.

— Acho que "salvar" é um termo muito forte — respondi, sentindo minhas bochechas aquecerem de leve, mas retribuindo o sorriso. — Mas estou dando o meu melhor. Sou a Antonella.

— Muito prazer. Eu sou o Frederico — ele disse, estendendo a mão livre, mas continuava com o mesmo sorriso extremamente lindo e gentil desde que começamos a conversar.

Quando nossas mãos se tocaram em um cumprimento profissional, senti um cuidado genuíno no toque dele. Um aperto firme, mas incrivelmente gentil.

— Se precisar de qualquer ajuda para entender o sistema ou para encontrar a máquina de café que realmente funciona, pode me chamar. Minha mesa fica logo ali — ele apontou para uma estação de trabalho a poucos metros da minha.

— Obrigada. Vou lembrar disso — agradeci.

Ele acenou com a cabeça e se afastou, mas antes de sentar-se na própria cadeira, olhou para trás mais uma vez e sorriu de canto.

Voltei os olhos para o computador, mas a tela parecia um pouco menos opaca agora. No fundo do meu peito, uma sensação calorosa começou a brotar. Depois de tanto tempo caminhando por caminhos difíceis, parecia que a vida finalmente estava me colocando no lugar certo, cercada de pessoas boas.

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