Mundo de ficçãoIniciar sessão6
Maia.
O cheiro de serragem e óleo de máquina é tão forte que dá para sentir o gosto.
São 7h15 da manhã. A escola só começará a funcionar oficialmente daqui a quarenta e cinco minutos, mas a entrada lateral da oficina de carpintaria estava destrancada, exatamente como a mensagem criptografada no meu celular indicava. Estou parado na sombra de uma enorme serra de mesa industrial, meu coração batendo forte contra as costelas.
Não consegui dormir. Não depois de ser dispensada para o quarto de hóspedes como uma prostituta qualquer. Minha pele ainda está sensível, marcada pelas mãos dele, e a dor surda entre minhas coxas é uma lembrança constante e latejante dos lençóis cor de carvão e do quarto com paredes de vidro.
A pesada porta de metal no final do corredor se abre rangendo.
Adrian entra. Ele já está de volta com o terno — azul-marinho, gravata cinza-escura, sapatos lustrados como espelhos. Ele parece novamente a figura de autoridade intocável, o homem que assina diplomas e expulsa “encrenqueiros”. Mas, quando ele para na minha frente, vejo a escuridão em seus olhos. Ele também não dormiu.
“Você chegou cedo”, diz ele. Sua voz já não tem aquele tom calmo e acadêmico.
“Mal podia esperar pelo ‘cumprimento matinal’ no corredor”, respondi secamente, saindo das sombras. Estou usando meu uniforme escolar, mas desabotoei os três primeiros botões da blusa, deixando à mostra a renda do sutiã que finalmente decidi usar hoje. “Isso faz parte do currículo de ‘crédito extra’, professor? Encontros particulares no porão?”
“Faz parte das ‘consequências’ que você parece tão empenhado em acumular”, ele rosna. Não perde tempo com sermões. Estende a mão e a fecha com força em volta do meu pescoço — não para me machucar, mas para me imobilizar. Ele me pressiona contra o aço pesado e frio da bancada industrial.
O metal está gelado contra minha espinha, um contraste gritante com o calor abrasador da palma da sua mão.
“Você acha que é esperta, Maya? Se infiltrando na minha casa, me olhando como se eu fosse sua na frente do quadro?” Ele se inclina para frente, o rosto a centímetros do meu. Consigo sentir o cheiro de menta em seu hálito e o aroma do homem em quem me apaixonei ontem à noite. “Você é uma distração que eu não pedi.”
“Então livre-se de mim”, desafio, deslizando minha mão até o zíper da calça dele. “Me expulse. Me mande embora. Ou pare de falar e termine o que começou.”
Ele solta um som que é meio gemido, meio rosnado. Ele não me beija. Ele apenas agarra a barra da minha saia e a levanta até a minha cintura. Ele vê a renda — a renda vermelha que eu escolhi especificamente porque sabia que o deixaria louco.
“Você é uma pirralha”, ele sussurra, seus dedos se agarrando ao laço e o rasgando para o lado.
Ele mexe no cinto, o som metálico ecoando nas paredes de concreto e nas fileiras de ferramentas penduradas. Seu pau está para fora em segundos — grosso, duro e já vazando líquido pré-ejaculatório. Ele não usa nenhuma preliminar. Não pergunta se estou pronta. Ele sabe que estou. Ele consegue ver a umidade nas minhas coxas.
Ele me agarra pelos quadris e me levanta até a bancada. Minhas pernas se enrolam em sua cintura instantaneamente, minhas botas batendo contra o paletó dele.
“Mantenha a posição”, ele ordena, sua voz baixando para aquele tom sombrio e predatório.
Agarro-me ao aço frio da bancada, meus nós dos dedos ficando brancos. Ele me penetra com uma violência que me tira o fôlego. É cru. É intenso. É o tipo de sexo que deixa hematomas e regras quebradas por onde passa. Não há cama, nem luar, nem paredes de vidro. Apenas o cheiro de óleo e o estalo rítmico e pesado do seu corpo contra o meu.
“Meu Deus, Maya”, ele sussurra roucamente, suas mãos se chocando contra meus quadris enquanto ele me penetra com força. Ele está chegando ao fundo a cada estocada, seu pênis atingindo meu colo do útero com uma força que me deixa com a visão turva. “Você é tão apertada. Tão molhada para mim.”
“Mais forte”, soluço em seu ombro, minhas unhas cravando na lã cara de seu blazer. “Adrian, por favor. Mais forte.”
Ele obedece. Inicia um ritmo brutal, como um pistão, seus sapatos raspando no concreto enquanto ele luta para alcançar maior profundidade. A bancada vibra, as ferramentas na parede chacoalham em seus suportes. A cada investida, sinto a fricção queimando, uma corda incandescente tensionando-se na minha barriga.
“Você gosta de ser usada numa oficina de carpintaria?“, ele ofega, com a boca roçando minha orelha. “Como uma vadiazinha qualquer? Você gosta que o seu diretor esteja com o pau enfiado até o fundo em você enquanto o primeiro ônibus chega no estacionamento?”
“Sim! Com certeza!”
Estou gritando agora, o som abafado pelas máquinas pesadas ao nosso redor. Não me importo com quem ouça. Não me importo com o “Contrato Social” ou com a filosofia moral sobre a qual ele discursa. Eu só quero o impacto. Eu quero a ruína.
Ele muda a posição da mão, agarrando meu cabelo e puxando minha cabeça para trás, obrigando-me a olhar para ele. Seu rosto é uma máscara de pura e desenfreada luxúria. Ele parece querer me devorar.
“Olhe para mim”, ele resmunga, seu passo se tornando frenético. “Olhe o que você fez comigo.”
Eu olho. E é aí que o clímax acontece. É uma explosão violenta e rítmica que enrijece meu corpo inteiro, minhas paredes se contraindo em torno de seu membro grosso num aperto desesperado e pulsante. Eu uivo, minha voz embargada enquanto o calor me invade em ondas.
Adrian não para. Ele desfere mais três estocadas profundas e violentas — daquelas que parecem atingir minha alma — antes de soltar um rugido gutural. Ele me prende à mesa de aço, seu corpo tremendo enquanto ejacula dentro de mim, sua testa encostada na minha enquanto finalmente chega ao clímax.
Ficamos assim por alguns minutos, o único som sendo o ruído distante do ônibus escolar e nossa própria respiração ofegante e ecoante.
.
Ele finalmente se retira, o som úmido me fazendo estremecer. Ele não olha para mim enquanto ajeita o terno, seus dedos se movendo com aquela mesma precisão aterradora. Ele é o Diretor novamente. Mas vejo como suas mãos tremem enquanto ele coloca a camisa para dentro da calça.
“Vá ao banheiro e se limpe”, diz ele, com a voz fria e firme. “E Maya?”
Olho para ele, minhas pernas ainda tremendo enquanto deslizo da bancada, meu laço estragado grudado no quadril.
“Se eu te vir no corredor hoje, abaixe o olhar. Não olhe para mim. Entendeu?”
“Entendido, diretor”, sussurro, com um sorriso sombrio e satisfeito nos lábios.







