DANTE
O interior da ambulância é um inferno de luzes brancas e alarmes estridentes.
Estou ajoelhado no chão metálico, as mãos pressionando o ombro de André com a força de quem tenta segurar a vida escapando. Meus dedos afundam na carne quente, no sangue que não para, e eu rezo – eu, que não rezo desde que Elizabeth se foi – para que cada segundo a mais seja um segundo ganho.
— Pressão 60 por 40! — a paramédica grita, e a voz dela perfura meu crânio. — Estamos perdendo ele!
— Não vai perder, — o