— Não.
A palavra ficou pairando entre nós, pesada como uma promessa. Não.
— Por quê? — a pergunta escapou dos meus lábios antes que eu pudesse detê-la. — Eu causei um escândalo. Desafiei publicamente…
— Porque hoje — ele interrompeu, sua voz baixa, mas cortante como uma faca, — você não foi a babá. Foi uma variável. Uma variável imprevisível que alterou o equilíbrio de poder numa mesa onde eu estou há anos perdendo. Minha mãe joga xadrez. Hoje, você entrou no tabuleiro como um cavalo, saltando sobre as peças previsíveis dela. Foi… esclarecedor.
Ele estava falando de mim como se eu fosse uma ferramenta, uma peça de jogo. E deveria ter me ofendido. Em vez disso, uma onda de calor me percorreu, um entendimento perverso. Ele via valor na minha fúria. Na minha recusa em me ajoelhar.
Eva correu até nós, de cabelos desalinhados e bochechas coradas.
— Elara, vem me empurrar no balanço!
Antes que eu pudesse me levantar, Dante se adiantou.
— Eu vou.
Ele se levantou, tirando o paletó e dobrando-