DANTE
O carro está parado em frente ao prédio da avó de Elara há uma hora.
Ou uma vida. Não sei mais distinguir.
A chuva começou há alguns minutos, grossa e fria, tamborilando no para-brisa como os dedos de um destino cruel. Cada gota é um lembrete de que ela está ali, em algum lugar naquele prédio, e eu estou aqui, do lado de fora, sem saber o que fiz de errado.
Repasso cada detalhe da noite. A cabine. O sexo. As palavras trocadas. A forma como ela me olhava — daquele jeito que só ela tem, co