Fui a primeira a me afastar.
O choque ainda vibrava no meu corpo quando me desvencilhei das mãos de Dante, o coração batendo tão alto que tive certeza de que Helen podia ouvir. O que quer que aquilo tivesse sido — confronto, invasão, loucura — não precisava de mais um segundo para se tornar algo impossível de justificar.
Eu sabia como parecia.
E sabia, com uma clareza cruel, que qualquer explicação soaria como mentira.
Helen estava parada à frente de nós, o corpo rígido, os olhos faiscando de fúria contida. Não havia surpresa ali. Havia confirmação.
— Eu perguntei o que é isso — disse ela, lentamente. — E não vou repetir.
Engoli em seco. Por um impulso estranho, senti que talvez eu devesse falar. Dizer qualquer coisa. Um pedido de desculpas, uma negativa, uma versão aceitável daquilo tudo. Mas a verdade era simples demais para ser organizada: nem eu sabia exatamente o que tinha acontecido.
Abri a boca.
— Eu...
— Não. — A voz de Dante me cortou no meio da sílaba.
Ele não elevou o tom.