CAPÍTULO 7
POV — Marino Bianchi
O silêncio ainda pairava pesado entre nós.
Era o tipo de silêncio que precede a queda de um império.
Foi então que Matteo ficou rígido.
Não foi um movimento brusco. Foi instinto. O corpo dele respondeu antes da mente. Os olhos se fixaram na porta do clube como se tivesse visto um fantasma atravessar o inferno de volta à terra.
Ele engoliu em seco.
— Marino… — murmurou.
Eu não me virei.
— Não se vira — ele disse rápido, a voz estrangulada. — Por tudo que existe… não se vira ainda.
Meu lobo se levantou dentro de mim.
O ar mudou.
Veio primeiro como uma lembrança distante.
Depois como um soco.
Cereja.
Chocolate.
Doce e quente.
Meu coração perdeu o ritmo.
— O diabo nunca morre… — Matteo sussurrou, quase em reverência.
Lorenzo virou-se lentamente.
Alessio deixou cair o pano que segurava.
O clube inteiro pareceu prender a respiração.
Todos os homens olharam para a porta.
E então…
Ela estava lá.
Pequena.
Mas não frágil.
O corpo mais cheio, curvas marcadas pela vida — não pela submissão. Os cabelos cacheados vermelhos estavam ainda mais vivos, como fogo indomado. A pele salpicada de sardas parecia beijada pela luz errada daquele lugar.
E os olhos…
Azuis.
Profundos.
Como mar antes da tempestade.
Willow Nowak entrou como se nunca tivesse sido apagada.
Sorria.
não um sorriso ensaido.
Um sorriso perigoso.
Os Alfas sentiram.
Os Betas engoliram em seco.
Ômegas sentiram o peso do ar mudar.
Ela caminhou com passos calmos, conscientes, enquanto os homens respiravam fundo, puxados pelo cheiro que se espalhava ao redor dela. Cereja madura. Chocolate amargo. Ômega desperta.
Eu senti primeiro.
Antes de vê-la.
Meu corpo reagiu violentamente. O lobo rugiu, reconhecendo o que nunca esquecera.
Minha.
Ela se aproximou do balcão.
Parou ao meu lado.
Eu ainda não havia me virado.
Até que senti a mão dela.
Pequena.
Quente.
Segura.
Ela tirou o copo da minha mão como se tivesse todo o direito do mundo.
E bebeu.
Um gole lento.
Provocador.
Depois apoiou o cotovelo no balcão, tão próxima que o cheiro dela me envolveu por completo.
— Cinco anos… — a voz dela saiu baixa, suave, carregada de algo que não era medo. — Achei que você já tivesse desistido de beber isso.
Eu me virei.
O mundo colapsou.
Os olhos dela encontraram os meus.
O tempo desapareceu.
— Quanto tempo, Marino — Willow disse, sorrindo daquele jeito que me destruiu uma vez. — Você continua olhando como se fosse me perder de novo.
Meu peito doeu.
Não de raiva.
De alívio brutal.
— Willow… — nome dela na minha boca nunca fora tão perigoso.
Ela inclinou a cabeça, os cachos vermelhos caindo pelo rosto.
— Não vai dizer nada? — provocou. — Ou vai fingir que eu sou só mais um fantasma do clube?
Matteo soltou um palavrão baixo.
Lorenzo estava pálido.
Alessio parecia não respirar.
O ar estava carregado demais para mentiras.
— Você sumiu — eu disse, finalmente, a voz rouca.
— Eu sobrevivi — ela respondeu. — Há uma diferença enorme entre as duas coisas.
Nossos olhares se prenderam.
O clube inteiro existia em segundo plano agora.
E eu soube, naquele instante:
O passado não tinha voltado.
Ele tinha vindo cobrar tudo.
ela sorriu perigosa e comprimentou Alessio, e saiu, indo em direção ao palco.