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O que ninguém ousa dizer

CAPÍTULO 5

POV — Marino Bianchi

O silêncio depois da minha última frase não era confortável.

Era pesado.

Eu sentia os olhares deles sobre mim como lâminas contidas. Eles não me desafiavam por respeito — e por medo do que eu poderia fazer se o fizessem.

Alessio foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Marino… — ele começou devagar, limpando o balcão sem necessidade. — Eu preciso perguntar de novo.

Eu ergui o olhar.

— Pergunta.

Ele hesitou. Sempre hesitava quando o assunto era ela.

— O que vai acontecer… — respirou fundo — se Edward Nowak descobrir sobre a Willow?

Meu lobo rosnou baixo dentro do peito.

— Ele não vai.

— Você não sabe disso — Alessio rebateu. — Edward não é um homem comum. Ele destrói o que não controla.

Matteo cruzou os braços.

— E vamos ser honestos — disse, sem rodeios. — Para o mundo… Willow era só uma prostituta.

A palavra caiu como um soco.

Eu levantei tão rápido que o banco caiu para trás com um barulho seco.

— Repete.

Matteo engoliu em seco.

— Não foi o que eu quis—

— Foi exatamente o que você quis dizer — eu interrompi, a voz baixa e perigosa. — E é por isso que ninguém nunca enxergou quem ela era de verdade.

Alessio levantou as mãos em rendição.

— Marino, ninguém está tentando te provocar. Estamos tentando te proteger.

— Me proteger de quê?

— De você mesmo — respondeu Lorenzo. — Do que você faria se Edward usasse isso contra você.

A imagem veio à minha mente sem pedir permissão.

Willow sendo arrastada.

Silenciada.

Punida.

Meu punho se fechou.

— Edward Nowak não chega perto.

Você diz isso agora — Alessio insistiu. — Mas e se ele descobrir que você se envolveu com uma ômega que ele descartou? Que ela carregava o sangue Nowak?

Eu congelei.

— O quê?

Alessio desviou o olhar e viu que falou mais o que deveria.

— Willow… — ele respirou fundo. — Não era italiana. O sotaque dela nunca foi daqui. E depois que ela sumiu… gente poderosa apagou rastros.

O mundo fez sentido de um jeito cruel demais.

— Então você sabia — murmurei.

— Eu suspeitava — ele corrigiu. — Mas suspeitar e provar são coisas diferentes.

Lorenzo passou a mão pelo rosto.

— Marino, se Edward souber que você ainda a procura, ele pode usar isso. Contra você. Contra o seu pai.

— Ou contra ela — Matteo completou, mais baixo.

Meu peito queimava.

— Willow não é uma fraqueza.

— Para Edward, é — Alessio respondeu. — Porque ele não vê pessoas. Ele vê posses. E prostitutas… — ele parou, desconfortável. — São descartáveis para homens como ele.

Meu lobo avançou com violência.

— Ela nunca foi descartável — rosnei. — Ela foi roubada.

O silêncio caiu de novo.

— Você confia nela? — Lorenzo perguntou.

A pergunta parecia simples.

Não era.

Eu fechei os olhos por um segundo.

A memória da pele quente. Do cheiro. Do modo como ela se entregou sem dever nada a mim.

— Mais do que confio em qualquer acordo político — respondi.

— Mesmo sem saber onde ela está? — Matteo insistiu.

— Mesmo assim.

Alessio apoiou as mãos no balcão.

— Então você precisa entender uma coisa, Marino. — Ele me encarou de verdade agora. — Se Edward descobrir sobre Willow… ele não vai só querer puni-la.

— Ele vai querer me ferir — completei.

— Exatamente.

Eu endireitei os ombros.

— Então ele vai aprender o que acontece quando alguém toca no que é meu.

— Você fala como se ela ainda fosse sua — Matteo murmurou.

Meu olhar foi lento.

— Ela nunca deixou de ser.

Lorenzo suspirou.

— E se ela não quiser ser encontrada?

A pergunta foi como uma faca silenciosa.

Mas eu não desviei.

— Então eu vou respeitar — disse, mesmo sentindo a mentira rasgar por dentro. — Mas nunca vou deixá-la desprotegida.

Alessio me observou com atenção.

— E se ela tiver seguido em frente?

Meu coração bateu mais forte.

— Então vou aceitar — respondi. — Mas o instinto não erra assim por cinco anos.

Eles ficaram em silêncio.

Porque todos ali sabiam.

Aquilo não era sobre desejo.

Era sobre algo que já estava escrito antes mesmo daquela noite.

continuei bebendo.

— Só mais uma coisa — Alessio chamou.

— Fala.

— Se Willow aparecer… — ele engoliu em seco. — Você vai conseguir escolher entre ela e a guerra?

Eu parei na porta.

Não precisei pensar.

— Ela é a guerra.

E Edward Nowak ainda não fazia ideia de que o passado estava respirando de novo.

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