Quando saímos do monastério, o ar fresco da noite me atingiu como uma bofetada. Cada respiração parecia uma dádiva. O céu estava escuro e estrelado, e havia algo libertador em sentir o vento no rosto, ouvir os sons reais da noite, e não as paredes frias daquele lugar. Pela primeira vez em nove anos, eu estava fora daquele lugar. Meu corpo inteiro estremeceu, misto de alívio e incredulidade.
Enquanto tentava absorver o ar frio do lado de fora, ainda trêmula e com o coração disparado, esbarrei em alguém. Levantei os olhos num reflexo quase automático e me deparei com um homem enorme, que parecia preencher todo o espaço à sua frente. Seus olhos cinzentos e penetrantes me atravessaram, frios e calculistas, e uma onda de pavor me percorreu. Ele me olhou com Reconhecimento? Cautela? Eu não sabia, mas cada fibra do meu corpo entendia que ele não era alguém com quem se brinca. Havia
— Está tudo bem? — a voz dele soou firme, mas ainda cuidadosa, quase como uma ordem, e eu senti meu corpo int