Meu peso parece não ser um problema para ele. Luka me levanta facilmente e me carrega sem suar. Depois de me colocar na cama, ele puxa as
cobertas até ao meu pescoço e se senta na beirada.
— Sinto muito, Isabel. — A voz dele veio rouca, arrastada, como se cada palavra lhe custasse ar.
Eu ri, um som curto e quebrado, que mais parecia um soluço. — Por que isso importa? — A pergunta saiu trêmula. Eu ainda tremia toda, e não sabia se era de raiva, medo… ou dele.
Ele ergueu os olhos, e o azul parecia escurecido por algo que doía. — Isso importa, Rosa. — Sua voz ficou mais baixa, mais densa. — Importa quando um bastardo doente e egoísta arrancou de você o que havia de mais puro. Quando usou seu corpo, sua fé, a tua inocência. Importa quando um homem que se acha um deus — um deus perverso e apodrecido — decidiu brincar de dono da sua alma.
Ele se afastou um passo, como se a própria presença dele fosse uma blasfêmia. — E o seu pai… — o tom dele falhou por um segundo — o homem que devia