Carol abriu a porta ainda meio adormecida, o cabelo preso de qualquer jeito e um pijama largo que denunciava que aquela visita não fazia parte de plano algum.
Piscou algumas vezes, tentando organizar a imagem diante dela, como se o cérebro estivesse atrasado em relação aos olhos.
— Eu juro que achei que isso fosse um pesadelo — comentou, a voz rouca de sono. — Daqueles bem vívidos… aí eu acordo e tudo faz sentido de novo.
Otávio soltou um riso curto, sem humor.
— Eu sou mais um sonho — respondeu. — Um sonho bonito. Daqueles que a gente acorda arrependido de não ter aproveitado mais.
Carol revirou os olhos, um gesto automático, quase carinhoso de tão familiar.
— Entra — disse, abrindo passagem. — Mas isso aqui não é hora de aparecer assim. Da próxima vez, liga. Ou manda mensagem. Ou… sei lá, dorme.
Ele entrou, fechando a porta atrás de si com cuidado demais para alguém tão inquieto.
O apartamento estava em penumbra, iluminado só pela luz fraca da cozinha e pelo abajur da sala. O chei