Lilly acordou antes do sol, como se o corpo tivesse decidido por ela.
A mansão ainda dormia, envolta naquele silêncio grande demais que só casas muito ricas conseguiam produzir.
Ela ficou deitada por alguns minutos, encarando o teto, tentando entender a inquietação que se espalhava pelo peito sem motivo claro.
Nada havia acontecido. Ainda assim, algo nela parecia desperto demais.
Levantou-se devagar, vestiu roupas simples e práticas, prendeu o cabelo num rabo baixo e saiu do quarto antes que qualquer pensamento mais profundo pudesse se formar. Precisava se mover. Sempre fora assim. Quando a mente ficava confusa, o corpo obedecia melhor.
O ar da manhã no haras era fresco, quase cortante. Os cavalos já estavam agitados, e Lilly sentiu um alívio imediato ao se aproximar deles. Havia algo reconfortante na força silenciosa daqueles animais, na previsibilidade dos gestos, na disciplina que sempre lhe fora ensinada desde criança.
Montou com naturalidade.
O cavalo respondeu pr