Para Soraya Guerra, tudo era uma questão de sequência. Um jantar bem escolhido, em um restaurante frequentado pelas pessoas certas, criaria a imagem necessária antes mesmo de qualquer anúncio oficial. Fotos discretas, comentários sussurrados, a ideia de um casal sólido surgindo naturalmente.
Nada precisava ser forçado, apenas bem conduzido. Quando chegasse a hora de falar em casamento, o público já teria aceitado a narrativa como óbvia.
Não seria surpresa. Seria confirmação.
E, para ela, não havia nada mais eficiente do que fazer o inevitável parecer espontâneo.
Soraya não chamou aquilo de jantar.
Chamou de movimento.
— As pessoas não precisam saber como vocês se sentem — disse, sentada à cabeceira da mesa do escritório, o tablet apoiado com gráficos e recortes de imprensa. — Só precisam acreditar, comentar.
Otávio estava recostado na poltrona, braços cruzados, olhar distante. Lilly permanecia sentada de forma impecável, as mãos repousadas no colo, atenta a cada palavra