A reunião seguia em ritmo cirúrgico.
Gráficos projetados. Executivos atentos. Discussões técnicas, frias, previsíveis. Rafael Montenegro estava recostado na cadeira da cabeceira, os dedos unidos, ouvindo mais do que falando.
Era o ambiente onde ele reinava sem esforço.
A porta se abriu.
Moreira entrou.
Rápido demais. Sem anúncio. Sem pedir licença.
— Senhor… — disse, já avançando pela lateral da mesa. — Temos um problema.
Rafael ergueu o olhar devagar.
Não perguntou qual. Não pediu contexto.
Moreira já estava ao lado dele, o telefone na mão.
— É agora. — completou, a voz baixa, mas tensa. — E é grave.
A tela foi colocada diante de Rafael.
O vídeo começou a rodar.
Valentina apareceu.
Ajoelhada. Amarrada. O rosto machucado.
Rafael não piscou.
Não se mexeu. Não respirou fundo. Não mudou a expressão.
Assistiu.
Viu o tapa. Viu o chute. Ouviu o choro. Ouviu o nome dele sendo dito com a voz quebrada.
Cada segundo parecia alongado de propósito.
Quando o vídeo terminou, a sala estava em silênc