CAPÍTULO 80 — QUANDO O MEDO RESPIRA

Valentina estava caída de lado no chão do galpão, os braços presos atrás do corpo, os pulsos em chamas. O concreto gelado sugava o pouco calor que ainda lhe restava, e cada respiração parecia rasgar algo por dentro.

O corpo tremia.

Não apenas de frio — de medo.

A lâmpada pendurada no alto oscilava levemente, lançando sombras irregulares pelas paredes de concreto. O zumbido elétrico era constante, irritante, enlouquecedor.

Ela já não sabia quanto tempo tinha passado.

O relógio tinha morrido ali dentro.

Os passos vieram sem pressa.

Valentina sentiu antes de ouvir.

O cheiro de cigarro entrou no ar.

— Acordada ainda? — a voz masculina soou abafada pela máscara. — Que bom.

Ela tentou se mover. O erro custou caro.

Um deles a puxou pelo braço com brutalidade, fazendo-a gemer baixo.

— Cinco horas, madame. — continuou o homem, agachando-se à frente dela. — Cinco horas desde que você chegou aqui.

Valentina engoliu em seco.

— Seu marido deve estar ocupado. — ele disse, quase divertido. — Homens
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