Valentina estava caída de lado no chão do galpão, os braços presos atrás do corpo, os pulsos em chamas. O concreto gelado sugava o pouco calor que ainda lhe restava, e cada respiração parecia rasgar algo por dentro.
O corpo tremia.
Não apenas de frio — de medo.
A lâmpada pendurada no alto oscilava levemente, lançando sombras irregulares pelas paredes de concreto. O zumbido elétrico era constante, irritante, enlouquecedor.
Ela já não sabia quanto tempo tinha passado.
O relógio tinha morrido ali dentro.
Os passos vieram sem pressa.
Valentina sentiu antes de ouvir.
O cheiro de cigarro entrou no ar.
— Acordada ainda? — a voz masculina soou abafada pela máscara. — Que bom.
Ela tentou se mover. O erro custou caro.
Um deles a puxou pelo braço com brutalidade, fazendo-a gemer baixo.
— Cinco horas, madame. — continuou o homem, agachando-se à frente dela. — Cinco horas desde que você chegou aqui.
Valentina engoliu em seco.
— Seu marido deve estar ocupado. — ele disse, quase divertido. — Homens