CAPÍTULO 80 — QUANDO O MEDO RESPIRA

Valentina estava caída de lado no chão do galpão, os braços presos atrás do corpo, os pulsos em chamas. O concreto gelado sugava o pouco calor que ainda lhe restava, e cada respiração parecia rasgar algo por dentro.

O corpo tremia.

Não apenas de frio — de medo.

A lâmpada pendurada no alto oscilava levemente, lançando sombras irregulares pelas paredes de concreto. O zumbido elétrico era constante, irritante, enlouquecedor.

Ela já não sabia quanto tempo tinha passado.

O relógio tinha morrido ali
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