A consciência voltou em pedaços.
Primeiro, o frio.
Depois, a dor.
Valentina tentou inspirar fundo e falhou. O ar parecia pesado demais, como se tivesse sido engrossado de propósito. Um gosto metálico persistia na boca. A cabeça latejava, cada pulsação um lembrete brutal de que algo estava muito errado.
Ela tentou se mexer.
Não conseguiu.
Os braços estavam presos atrás do corpo. Não com delicadeza — com força. O pulso ardia, dor viva, recente. As pernas dobradas de forma desconfortável, o corpo apoiado em algo duro, irregular.
Concreto.
O cheiro chegou antes da visão.
Ferrugem. Óleo velho. Poeira úmida. Algo queimado há muito tempo.
Um galpão.
Os olhos demoraram a se ajustar à penumbra. A luz vinha de um único foco alto, fraco, pendurado em algum lugar fora do alcance. O resto era sombra. Espaço amplo demais. Vazio demais.
Valentina engoliu em seco.
O pânico veio como uma onda atrasada.
— Onde… — a voz saiu rouca, quebrada. — Onde eu estou?
Nenhuma resposta.
O coração acelerou de imedi