CAPÍTULO 78 — ONDE A LUZ NÃO CHEGA

A consciência voltou em pedaços.

Primeiro, o frio.

Depois, a dor.

Valentina tentou inspirar fundo e falhou. O ar parecia pesado demais, como se tivesse sido engrossado de propósito. Um gosto metálico persistia na boca. A cabeça latejava, cada pulsação um lembrete brutal de que algo estava muito errado.

Ela tentou se mexer.

Não conseguiu.

Os braços estavam presos atrás do corpo. Não com delicadeza — com força. O pulso ardia, dor viva, recente. As pernas dobradas de forma desconfortável, o corpo apoiado em algo duro, irregular.

Concreto.

O cheiro chegou antes da visão.

Ferrugem. Óleo velho. Poeira úmida. Algo queimado há muito tempo.

Um galpão.

Os olhos demoraram a se ajustar à penumbra. A luz vinha de um único foco alto, fraco, pendurado em algum lugar fora do alcance. O resto era sombra. Espaço amplo demais. Vazio demais.

Valentina engoliu em seco.

O pânico veio como uma onda atrasada.

— Onde… — a voz saiu rouca, quebrada. — Onde eu estou?

Nenhuma resposta.

O coração acelerou de imedi
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