O trajeto de volta do aeroporto aconteceu em silêncio.
Não um silêncio desconfortável — mas aquele que surge quando algo foi bem-sucedido demais para ser comentado de imediato. O carro avançava pelas avenidas ainda movimentadas da manhã, enquanto a cidade retomava seu ritmo comum, alheia às decisões que tinham acabado de ser costuradas a poucos metros do chão.
Valentina observava a paisagem pela janela.
Não pensava na despedida. Nem no abraço de Hana. Nem no convite para o Japão.
Pensava naquela sensação estranha e perigosa de normalidade.
Rafael estava ao lado dela, o corpo relaxado no banco, mas a mente claramente ativa. O celular permanecia esquecido no colo — algo raro. Ele também processava.
— Foi melhor do que imaginava — ele disse, por fim, quebrando o silêncio.
Valentina virou o rosto devagar.
— Foi mesmo, fico feliz que tenha dado tudo certo. — respondeu. — Quanto mais rápido acontecer tudo, mais rápido cada um segue sua vida.
Rafael não disse observou a cidade e a firmeza co