O quarto de Valentina ainda estava suspenso naquele intervalo delicado entre a noite e a manhã.
As cortinas filtravam a luz nascente, deixando o ambiente em tons suaves de cinza e dourado. O ar era quieto. Denso daquele silêncio que não chega a ser descanso — apenas pausa.
Ela dormia de lado, os pensamentos ainda presos a fragmentos da noite anterior.
As batidas na porta vieram firmes.
Contidas.
Sem pressa. Sem voz.
Valentina se mexeu, ainda imersa no torpor do sono. Não raciocinou. Apenas leva