O quarto de Valentina ainda estava suspenso naquele intervalo delicado entre a noite e a manhã.
As cortinas filtravam a luz nascente, deixando o ambiente em tons suaves de cinza e dourado. O ar era quieto. Denso daquele silêncio que não chega a ser descanso — apenas pausa.
Ela dormia de lado, os pensamentos ainda presos a fragmentos da noite anterior.
As batidas na porta vieram firmes.
Contidas.
Sem pressa. Sem voz.
Valentina se mexeu, ainda imersa no torpor do sono. Não raciocinou. Apenas levantou, guiada pelo hábito automático de quem não espera nada fora do comum dentro daquela casa.
Caminhou até a porta sem pensar. Sem se olhar. Sem se preparar.
Abriu.
Rafael estava ali.
Parado no corredor, completamente desperto, como se o dia já estivesse em pleno andamento havia horas. Camisa branca impecável, postura reta, olhar atento — não invasivo, mas impossível de ignorar.
Por um segundo, nenhum dos dois falou.
Valentina piscou, tentando organizar a cena.
Só então percebeu.
A camisola pre