A despedida começou antes mesmo de alguém anunciar que era hora de ir.
Era assim em ambientes onde decisões importantes eram tomadas:
ninguém precisava dizer “acabou”.
O ar mudava.
Os gestos ficavam mais contidos.
Os olhares começavam a se despedir antes das palavras.
Valentina percebeu primeiro.
Akemi pousou o guardanapo sobre a mesa com precisão elegante. Hana recostou-se levemente na cadeira, soltando o ar como quem encerra um capítulo satisfatório.
— Foi uma noite muito agradável. — Akemi disse, levantando-se. — A mostra foi bem escolhida.
Valentina acompanhou o movimento com naturalidade.
— Fico feliz que tenha gostado. — respondeu. — Algumas obras pedem tempo. Outras, companhia certa.
Akemi inclinou levemente a cabeça, reconhecendo o comentário.
Hana aproximou-se um pouco mais de Valentina, o sorriso agora livre de qualquer cálculo.
— Da próxima vez, escolho eu. — disse, em tom leve. — Há lugares em Tóquio que só fazem sentido depois das dez da noite.
Valentina sorriu.
— Vou cob