CAPÍTULO 74 — O QUE SE REVELA À LUZ

Depois da escultura japonesa, foi Hana quem mudou o ritmo.

Ela se afastou alguns passos, quase como quem escapa de um território conhecido demais, e parou diante de uma instalação contemporânea que ocupava o centro de uma das salas laterais.

Vidro. Metal. Luz.

A obra não tinha forma única. Era fragmentada, viva, mutável conforme o ângulo do olhar. Feixes luminosos atravessavam estruturas irregulares, projetando sombras que se moviam pelo chão e pelas paredes, obrigando o visitante a circular ao redor — nunca diante.

Hana cruzou os braços, observando.

— Essa é nova. — comentou. — Trouxeram de Osaka há poucos meses.

Valentina se aproximou em silêncio.

Não falou de imediato.

Caminhou em torno da instalação, deixando que a luz se quebrasse no tecido do vestido preto, refletindo nos metais, mudando de intensidade conforme ela avançava.

— É… inquieta. — disse, por fim. — Não pede contemplação passiva. Obriga a circular. A se mover junto.

Hana virou-se para ela, surpresa agradável no olhar.

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