Depois da escultura japonesa, foi Hana quem mudou o ritmo.
Ela se afastou alguns passos, quase como quem escapa de um território conhecido demais, e parou diante de uma instalação contemporânea que ocupava o centro de uma das salas laterais.
Vidro. Metal. Luz.
A obra não tinha forma única. Era fragmentada, viva, mutável conforme o ângulo do olhar. Feixes luminosos atravessavam estruturas irregulares, projetando sombras que se moviam pelo chão e pelas paredes, obrigando o visitante a circular ao redor — nunca diante.
Hana cruzou os braços, observando.
— Essa é nova. — comentou. — Trouxeram de Osaka há poucos meses.
Valentina se aproximou em silêncio.
Não falou de imediato.
Caminhou em torno da instalação, deixando que a luz se quebrasse no tecido do vestido preto, refletindo nos metais, mudando de intensidade conforme ela avançava.
— É… inquieta. — disse, por fim. — Não pede contemplação passiva. Obriga a circular. A se mover junto.
Hana virou-se para ela, surpresa agradável no olhar.