Valentina estava no quarto, sentada diante do notebook, quando percebeu que a paz ali dentro era sempre provisória.
A tela exibia documentos abertos — anotações, números, rascunhos de cláusulas, ideias soltas que ela tentava organizar como quem organiza a própria vida: com lógica, com método, com algum controle possível.
Mas aquele tipo de silêncio… nunca durava.
A mansão Montenegro tinha muitos corredores, muitas portas, muitos modos de invadir sem precisar arrombar nada.
E Valentina aprendeu isso cedo.
O clique da maçaneta veio sem aviso.
A porta se abriu como se fosse natural. Como se aquele quarto não fosse dela — apenas uma extensão do território de alguém.
Valentina ergueu o olhar devagar.
Clara entrou primeiro.
Impecável, como sempre. Um ar de eficiência treinada. O rosto controlado demais para parecer inocente.
Atrás dela, uma funcionária empurrava uma arara de roupas coberta por capas de tecido preto, com um cuidado quase cerimonial. Outra vinha com caixas grandes: uma com o