Valentina estava sentada na sala principal quando percebeu que o dia tinha desacelerado do jeito certo.
A luz da tarde entrava oblíqua pelas janelas altas, desenhando sombras longas sobre o tapete claro. Não havia pressa. Não havia vozes. Apenas o silêncio confortável de uma casa grande demais para se ocupar o tempo todo.
Ela segurava um livro aberto no colo, mas não estava realmente lendo.
Virava as páginas com calma, mais pelo gesto do que pela história. A mente estava desperta, organizada — diferente dos dias em que precisava dançar para silenciar pensamentos.
Ali, estava inteira.
Ouviu passos no corredor lateral.
Não precisou olhar de imediato para saber quem era.
Rafael caminhava com o mesmo ritmo de sempre: firme, controlado, como alguém que não se apressa porque sabe exatamente para onde vai. Vestia o paletó escuro, a gravata já ajustada para sair. Claramente a caminho da empresa.
E, como parte natural da paisagem da casa, Clara vinha logo atrás.
Valentina levantou os olhos do