Valentina parou no alto da escada por um segundo.
Não por insegurança.
Por surpresa.
Ela não esperava encontrá-lo ali.
Rafael estava ao pé da escada, como se aguardasse há algum tempo. O paletó perfeitamente alinhado, a gravata escura no nó exato, o corpo apoiado com naturalidade calculada — mas o olhar denunciava atenção plena.
Ele não estava de passagem.
Estava esperando.
Valentina sentiu o impacto antes mesmo de dar o primeiro passo.
Respirou fundo.
A escada da mansão Montenegro sempre fora um território simbólico. Cada degrau dizia algo. E ela sabia disso. Ainda assim, desceu com calma, deixando que o vestido preto acompanhasse o movimento sem pressa, sem espetáculo.
Quando chegou aos últimos degraus, Rafael falou:
— Você está pronta.
Não foi elogio.
Foi constatação.
— Estou. — respondeu, firme.
Ele a observou com mais cuidado agora. Não o vestido em si, mas o conjunto: postura, presença, silêncio.
— Achei que viria mais… neutra. — comentou.
Valentina arqueou levemente a sobrancel