Os últimos dias tinham sido… estranhamente estáveis.
Nada de Rafael batendo na porta.
Nada de Vittória sussurrando veneno pelos corredores.
Nada de Clara circulando como cão de guarda mal treinado.
Só silêncio.
Um silêncio que vinha acompanhado de comida no quarto, muito trabalho acumulado e chamadas em vídeo com Bianca, que fazia questão de conferir se ela estava respirando três vezes por dia.
Valentina quase conseguia fingir que aquela mansão não era uma prisão social.
Quase.
Estava sentada à mesa, analisando o terceiro processo do dia, quando murmurou para si:
— Se eu continuar nesse ritmo, pago o tio antes do previsto…
Ela tomou um gole de café já morno, clicou para abrir o próximo arquivo, ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha e—
TOC. TOC. TOC.
Uma batida seca, urgente, impaciente.
Valentina franziu o cenho.
— Clara? Se for mais um café frio eu—
A porta se abriu.
Mas não era só Clara.
Era Clara… seguida de quatro pessoas carregando malas, cabides, caixas e uma arara inteira