A empresa estava com o ar ainda mais frio do que o costume.
Rafael sentava-se à mesa de vidro blindado, revisando contratos como se estivesse desmontando bombas: rápido, preciso, sem hesitar.
Moreira entrou sem bater — o que, em qualquer outro dia, seria uma sentença de morte.
Hoje, Rafael apenas ergueu os olhos por meio segundo.
— Fale.
Moreira ajeitou o paletó, tenso.
— Senhor… começamos a rastrear a senhorita Moretti, como ordenado.
Mas… — ele respirou fundo — recebemos informação de que ela retornou para a Itália esta manhã.
Rafael passou a mão pela lateral do rosto. Nenhuma surpresa. Nenhuma reação violenta. Só um silêncio tão gelado que o ar tremeu.
— Traga ela de volta. — ele disse, seco. — Nem que seja nadando.
Moreira engoliu o próprio destino, assentiu e saiu quase tropeçando.
Já no corredor, ele puxou o telefone:
— Aqui é Moreira. — sua voz saiu firme. — Ordem direta do senhor Montenegro.
Tragam Isabella Moretti de volta ao Brasil… inteira ou remendada.
Não me importa como.