CAPÍTULO 48 — Sarcasmos necessários

A empresa estava com o ar ainda mais frio do que o costume.

Rafael sentava-se à mesa de vidro blindado, revisando contratos como se estivesse desmontando bombas: rápido, preciso, sem hesitar.

Moreira entrou sem bater — o que, em qualquer outro dia, seria uma sentença de morte.

Hoje, Rafael apenas ergueu os olhos por meio segundo.

— Fale.

Moreira ajeitou o paletó, tenso.

— Senhor… começamos a rastrear a senhorita Moretti, como ordenado.

Mas… — ele respirou fundo — recebemos informação de que ela retornou para a Itália esta manhã.

Rafael passou a mão pela lateral do rosto. Nenhuma surpresa. Nenhuma reação violenta. Só um silêncio tão gelado que o ar tremeu.

— Traga ela de volta. — ele disse, seco. — Nem que seja nadando.

Moreira engoliu o próprio destino, assentiu e saiu quase tropeçando.

Já no corredor, ele puxou o telefone:

— Aqui é Moreira. — sua voz saiu firme. — Ordem direta do senhor Montenegro.

Tragam Isabella Moretti de volta ao Brasil… inteira ou remendada.

Não me importa como.
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