A mansão Montenegro não costumava ficar em silêncio.
Mas naquele começo de noite… ela parecia um templo antes do sacrifício.
Os empregados corriam de um lado para o outro no andar inferior, ajeitando flores, checando a iluminação, confirmando horários do motorista, testando comunicações internas. A tensão estava estampada até no mármore.
Mas ali, na sala principal…
Só dois homens permaneciam.
Rafael, impecável em um terno preto cintilando discretamente sob as luzes. Punhos da camisa alinhados, gravata perfeitamente simétrica, postura reta. O tipo de homem que parecia ter sido talhado por gelo.
E Moreira, atrás dele, firme como sempre — porém com o olhar muito mais nervoso do que o habitual.
Rafael analisava alguns documentos sobre o baile.
Moreira pigarreou.
— Senhor… os carros já estão alinhados. A imprensa acabou de chegar.
— Hm. — Rafael respondeu, sem erguer os olhos.
— A segurança interna está mobilizada. E o salão confirmou que está tudo pronto.
— Certo.
— A estilista mandou men