O mar não descansava.
Cada onda parecia maior que a anterior, cada impacto mais violento, cada segundo mais cruel. O barco era sacudido como brinquedo barato, rangendo, protestando, gritando em madeira aquilo que Valentina já não conseguia gritar em voz.
A tempestade agora era total.
A chuva caía em lâminas grossas, cortando o ar, batendo contra seu rosto como tapas gelados.
O vento empurrava o barco de lado, arrastava seu cabelo, entupia seus ouvidos.
O céu… o céu parecia estar desabando inteiro.
Valentina se agarrava ao que conseguia — corrimão, banco, canto, borda — mas nada ficava firme tempo suficiente.
Tudo escorregava.
Tudo fugia.
Tudo tremia.
Ela já não sabia há quanto tempo estava ali.
Minutos?
Horas?
Dias?
A dor no ombro queimava.
O frio devorava seus braços.
Os dedos estavam dormentes, roxos, quase sem força para segurar qualquer coisa.
— Por favor… por favor… — ela murmurou, mal reconhecendo a própria voz. — Eu não quero morrer… por favor…
O barco inclinou bruscamente para