O mês seguinte passa com uma tranquilidade que chega a me deixar desconfiada.
Luciano e eu coexistimos em algo que se parece perigosamente com paz. Não perfeita, não inocente, mas real. Uma calma construída sobre ruínas, como uma casa erguida sobre um solo que já conheceu o fogo. Henrique… desapareceu. Nenhum sinal. Nenhuma sombra. Nenhum erro.
É como se tivesse sido engolido pela própria escuridão.
Segundo Luciano, todas as contas bancárias em nome dele foram congeladas. Ele disse isso com a voz neutra, como se estivesse falando sobre o clima, mas eu vi a rigidez em seus ombros quando mencionou o assunto. Nenhuma movimentação em cartões de crédito. Nenhum rastro digital. Nada. Durante semanas.
Com os homens de Luciano e os soldados da Facção espalhados pela cidade, vigiando bairros inteiros, fronteiras, antigos contatos, rotas conhecidas… eu não consigo imaginar onde Henrique estaria escondido.
A menos, é claro, que alguém o esteja protegendo.
Essa ideia se instala em mim como um esp