A inquietação já está em mim antes mesmo de o carro sair da garagem.
— Como ele está? Pergunto a Francisco assim que me acomodo no banco de trás.
É estranho sentar ali quando somos apenas nós dois. Sempre é. Da primeira vez que tentei ocupar o banco da frente, percebi imediatamente o quanto aquilo o deixou desconfortável. Desde então, aceitei meu lugar atrás não por submissão, mas porque Francisco carrega um código próprio, rígido, silencioso.
— Trabalhando demais e dormindo de menos ele responde sem tirar os olhos da estrada.
Sei que está falando de Luciano. E há algo em seu tom que não é apenas profissional. Francisco se importa com ele. De verdade. Às vezes me pergunto se Luciano enxerga isso. Se percebe quantas pessoas estão ao redor dele, sustentando-o em silêncio. A ideia de que ele possa não se sentir amado me aperta o peito.
— E meu pai?
Francisco demora um segundo a mais antes de responder.
— Igual ao seu marido.
Isso diz tudo… e nada ao mesmo tempo.
Quero perguntar mais. Q